A disputa pela Presidência da República chega à reta final do segundo turno com vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas com a menor diferença registrada desde o início da série de pesquisas do agregador Opinião Inteligência Política. A média dos levantamentos atribui 51,2% dos votos válidos ao candidato do Partido Liberal, contra 48,8% do atual presidente, uma distância de 2,4 pontos percentuais.
O levantamento reúne 26 pesquisas realizadas por 14 institutos desde o primeiro turno, em 4 de outubro. Flávio aparece numericamente à frente em 23 dos estudos compilados. Segundo o Opinião, a diferença atual corresponde a aproximadamente 2,8 milhões de votos, embora o cenário permaneça apertado às vésperas da votação, marcada para 25 de outubro.
No primeiro turno, Flávio terminou com 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%, uma diferença de dois pontos percentuais, equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos. Na véspera daquela votação, o Datafolha havia apontado vantagem para o petista, mas o resultado das urnas foi favorável ao candidato do PL.
O CEO do Opinião Inteligência Política, Alexandre Garcia, avalia que o quadro eleitoral apresenta pouca movimentação, apesar da intensificação das campanhas e dos acontecimentos da última semana.
“O eleitor já chegou para o segundo turno com o voto praticamente definido. São dois nomes muito conhecidos, dois projetos que o país já experimentou nos últimos anos e a maioria já decidiu faz tempo de que lado estaria”, afirmou.
Segundo Garcia, debates, propaganda eleitoral, propostas e apoios políticos tiveram efeito limitado sobre as intenções de voto. Para ele, esses movimentos contribuíram principalmente para reforçar escolhas já consolidadas.
As 15 pesquisas divulgadas entre 15 e 19 de outubro atribuíram a Flávio percentuais entre 49% e 52%. Nesse período, a média do candidato oscilou entre 51,2% e 52,5%, indicando uma disputa relativamente estável, embora com redução da vantagem em relação aos momentos anteriores da série.
O estudo mais recente do instituto resume o cenário com a expressão “voto estável, rejeição em movimento”. Segundo a análise, a rejeição foi a variável que apresentou mudanças mais perceptíveis na semana, mas o movimento não ocorreu de maneira uniforme entre os institutos.
Na pesquisa Quaest, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, ficando abaixo da registrada para Flávio. Em outros levantamentos, a redução foi menor, enquanto dois institutos apontaram estabilidade.
Garcia ressalta, porém, que a diminuição da rejeição ao presidente ainda não se converteu em crescimento equivalente nas intenções de voto.
“A rejeição caiu, mas a intenção de voto em Lula não subiu. Ou seja, quem deixou de rejeitar ainda não passou a votar nele”, afirmou.
A divulgação de uma nova rodada do Datafolha, prevista no material original para a noite de quinta-feira (22), era apontada como um dos indicadores para verificar se a queda da rejeição a Lula representava uma tendência mais ampla ou um movimento restrito à Quaest.
Além da rejeição, o analista identifica outros dois fatores capazes de influenciar o resultado: o debate da TV Globo e o comparecimento dos eleitores às urnas. No primeiro turno, mais de 33 milhões de pessoas deixaram de votar, um contingente que pode ter peso relevante em uma disputa apertada.
“Com uma diferença tão pequena, a eleição pode ser decidida por quem sai de casa no domingo, mais do que quem muda de voto nessa reta final”, avaliou.
Histórico das pesquisas influencia projeção
O Opinião também considera o histórico de diferenças entre as pesquisas eleitorais e os resultados efetivos das urnas. De acordo com Garcia, levantamentos teriam apresentado, em seis eleições, uma tendência de subestimar o desempenho de adversários do PT.
Na comparação apresentada pelo instituto, as últimas pesquisas do Datafolha antes dos segundos turnos de 2014, 2018 e 2022 registraram resultados entre 0,1 e 1,1 ponto percentual abaixo do desempenho dos adversários do PT nas urnas.
Com base nessa referência, o Opinião aplica um ajuste de 0,5 ponto percentual à média das pesquisas, elevando a estimativa de Flávio para 51,7%. O próprio estudo, entretanto, ressalva que o número de eleições analisadas é limitado e que esse padrão histórico pode não se repetir.
A partir dos cenários calculados, o instituto estima que Flávio tenha entre 71% e 79% de probabilidade de vitória, dependendo da aplicação ou não do ajuste histórico. Para Lula, a probabilidade varia de 21% a 29%.
O estudo também considera a possibilidade de as pesquisas superestimarem em um ponto percentual o desempenho do candidato do PL. Nesse cenário, Flávio ainda teria 53% de chance de vitória, segundo a modelagem apresentada.
Garcia pondera que a vantagem estatística não elimina a possibilidade de uma virada do candidato petista. “Neste momento, quem precisa dar essa virada é o Lula. E ele já começa atrás com esse histórico contra. Não é impossível. A diferença é pequena”, afirmou.
O levantamento destaca, por fim, que uma pesquisa isolada não é suficiente para alterar significativamente a leitura da disputa. Para o instituto, o principal sinal a observar é a eventual sequência de levantamentos de diferentes empresas apontando na mesma direção.
O documento também menciona avaliações de analistas que atribuem parte das diferenças entre pesquisas e urnas à possível sub-representação do eleitorado de direita. Uma projeção de 53% a 47% favorável a Flávio é considerada possível pelo Opinião, mas o instituto ressalta que não há comprovação suficiente para tratar esse cenário como uma correção definitiva dos levantamentos.





