Investigado pela morte da médica Elyne, advogado deixou a UTI, foi interrogado pela Polícia Civil, mas não conseguiu participar da audiência de custódia neste domingo (8).
O advogado Francisco Valadares Neto, investigado por suspeita de ser o mandante do assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, protagonizou episódios de agressividade dentro do Pronto-Socorro de Rio Branco, onde permanece internado sob custódia. As informações foram obtidas pela redação do Notícias da Hora por diversas fontes que acompanham o caso.
Segundo os relatos, na manhã de sábado (7), depois de recuperar a consciência, ainda na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Valadares teria destratado médicos e servidores da unidade hospitalar. Ele também teria questionado sua permanência no hospital e tentado impor ordens aos profissionais responsáveis pelo atendimento.
Apesar do comportamento apresentado, a equipe médica avaliou que o paciente já não corria risco clínico imediato e reunia condições para deixar a UTI. Diante disso, os profissionais decidiram não manter a sedação naquele momento.
Com a autorização médica, Valadares foi transferido para uma enfermaria isolada, em outro andar do hospital. A medida ocorreu sob acompanhamento policial, uma vez que o mandado de prisão preventiva contra ele já havia sido cumprido.
Ainda conforme fontes ouvidas pela reportagem, os médicos também consideraram que o investigado apresentava condições de prestar depoimento. Com isso, a Polícia Civil realizou seu interrogatório e assumiu a responsabilidade pela escolta durante aquele período.
A situação voltou a se complicar na manhã deste domingo (8), quando estava prevista a realização da audiência de custódia.
De acordo com uma fonte policial, Valadares apresentou novos episódios de agressividade e precisou ser sedado novamente. Em razão de seu estado naquele momento, a audiência não pôde ser realizada.
Após o episódio, a responsabilidade pela escolta do investigado no Pronto-Socorro passou ao Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), por meio da Polícia Penal.
Justiça rejeita pedidos da defesa
Além dos acontecimentos registrados no hospital, informações repassadas à redação apontam que a defesa de Francisco Valadares Neto sofreu novos reveses judiciais na noite de sábado (7).
Segundo a fonte, foram rejeitados pedidos para transferir o investigado ao Hospital Santa Juliana e para que, em caso de alta hospitalar definitiva, ele fosse encaminhado a uma sala de Estado-Maior, em vez de uma unidade prisional comum.
No pedido relacionado à custódia, a defesa teria invocado as prerrogativas profissionais previstas no Estatuto da Advocacia.
Entretanto, conforme as informações recebidas, o magistrado considerou que Valadares está com o exercício profissional suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), circunstância que afastaria o direito ao recolhimento em sala de Estado-Maior.
A solicitação de transferência hospitalar também teria sido negada por falta de elementos que demonstrassem a necessidade da mudança ou a existência de tratamento mais adequado na unidade pretendida.
Investigação continua
Francisco Valadares Neto é apontado pela Polícia Civil como suspeito de ter encomendado o assassinato da ex-companheira, a médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, morta a tiros em Brasiléia, no interior do Acre, no dia 2 de novembro.
O homem investigado como executor do crime foi preso, e a Polícia Civil apura informações sobre um suposto pagamento de R$ 40 mil pela execução.
Valadares permanece sob custódia e acompanhamento médico. A transferência para uma unidade prisional dependerá da alta hospitalar e das determinações judiciais aplicáveis ao caso.
As investigações seguem em andamento, e a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda depende de definição pela Justiça.





