Rio Branco, AC,12 de junho de 2026 07:58
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PSDB de Rocha e Mara criou uma “cobra” pra picar seus próprios calcanhares

Não tenho dúvidas que o episódio da deputada federal Mara Rocha (PSDB) anunciar a saída da base do Governo de Gladson Cameli (PP) causou um desgaste desnecessário para os tucanos. O motivo alegado de que o governador não atendeu a solicitação da parlamentar de demitir o secretário de agricultura Paulo Wadt é nebuloso. A própria Mara admite que foi ela quem apresentou o nome do secretário. Mas segundo Gladson, até agora, ele não cometeu nenhum deslize que justificasse uma exoneração. Tanto que ventila apenas uma mudança de pasta, mas não a exclusão de Wadt do seu Governo. Então ao que parece a indicação do PSDB agradou ao Gladson, mas não a quem o indicou. O arrependimento veio rápido, passado poucos meses da atuação do gestor da agricultura. Um tiro no pé causado pela precipitação do PSDB em garantir a pasta para o partido sem a confiança de 100% de quem iria ocupá-la.

Recordar é viver
Quem não se lembra que durante a formação do atual Governo a pasta de Agricultura iria para o PSD do senador Sérgio Petecão (PSD)? O nome indicado inicialmente seria do ex-deputado estadual Jairo Carvalho(PSD). O PSDB bateu o pé e as mãos e “exigiu” o cargo e a Secretaria de “porteiras fechadas” para impulsionar o partido junto aos produtores rurais. Apostaram todas as suas fichas em Paulo Wadt, um técnico da EMBRAPA com as qualificações adequadas para tocar o trabalho.

“Cobra” criada
Assim o PSDB acabou escolhendo um gestor que desagradou o partido em pouco tempo. Ou seja, criaram uma “cobra”, como se diz no popular, para morder os seus próprios calcanhares. Agora está criado um impasse que poderá trazer dores de cabeça tanto para o PSDB quanto ao Governo.

Pra onde vai?
Uma outra curiosidade. Se realmente a deputada Mara Rocha abandonar a base do Governo de Gladson pra onde irá? Vai se aproximar do PT e do PC do B que são os legítimos opositores do atual Governo? Porque para o PSL fica complicado já que o partido está se aproximando da gestão do Progressista. Ou ficará independente como o deputado estadual Roberto Duarte? Será oposição ao próprio irmão que é vice de Gladson? Uma equação complicada.

Estrago irreversível
Mara Rocha justificou a demissão com uma série de possíveis irregularidades cometidas pelo Paulo Wadt na pasta de Agricultura. O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PC do B), que é macaco velho da política, sacou a situação e vai convocar o secretário para se justificar na ALEAC. Algumas acusações da deputada tucana, se comprovadas, poderão render uma investigação pelo Ministério Público.

No colo do governador
A quem interessa a fragilização do governador? As denúncias de Mara Rocha podem “judicializar” uma situação que poderia ser resolvida com conversas nos bastidores. Uma questão política poderá tomar proporções desastrosas. Realmente uma precipitação dupla do PSDB, primeiro da indicação de Paulo Wadt e, agora, de tornar a sua demissão um assunto debatido na imprensa.

Insaciável
Uma outra alegação dos tucanos que não entendo. Dizem que tanto a Segurança quanto a Agricultura não está sob o comando do partido. Mas quem indicou a gestão da Segurança foi o vice governador Major Rocha (PSDB) e a Agricultura a deputada Mara Rocha. Mas além disso, o PSDB tem o vice governador, segundo mais importante cargo do Estado e a pasta da Cultura. Não é um capital político desprezível.

Meio de campo
Nessa crise toda acho que o vice Rocha deveria ter atuado mais fortemente. Impedido o anúncio de um possível rompimento por parte da sua irmã, Mara Rocha, antes de esgotadas as alternativas de negociações políticas. Porque ficou a impressão de que a “crise” desfechada pela imprensa foi um trabalho de equipe.

Vale ressaltar…
A deputada federal Mara Rocha, por enquanto, tem tido uma boa atuação na Câmara do Deputados. É carismática e tem certamente uma longa carreira política pela frente. Mas o diálogo e o esgotamento dos recursos de negociação nos bastidores são essenciais. Ainda mais quando se trata de um novo Governo que está em formação. É preciso paciência, outra virtude importante para um político.