Uma democracia só poderá avançar se houver um equilíbrio entre os poderes constituídos. Se essa premissa for rompida as consequências poderão ser nefastas para a sociedade. No Acre, todos os governos da sua recente história sempre construíram rapidamente a maioria parlamentar na Assembleia Legislativa para poderem governar. Mas essa “lógica” está sendo rompida pelo atual Governo de Gladson Cameli (Progressista). Tanto que nesta semana assistimos vetos governamentais serem derrubados por unanimidade pelos deputados estaduais. No ato seguinte, os indicados dos deputados para cargos de confiança na gestão, as famigeradas CECs, foram removidos. Mais de trezentos apadrinhados políticos foram pra rua numa única canetada em retaliação à derrota governista. Ainda que o Governo tenha publicado nota oficial de que se trata de um ajuste nas contas todos sabem o verdadeiro motivo das exonerações. E quem é que tem razão nessa contenda que se instalou? É isso que vou analisar nas próximas notas.
Diálogo de surdos e mudos
Que falta articulação política para o atual Governo é um fato notório. O governador não conseguiu formar uma equipe competente para negociar as suas pautas na ALEAC. Por outro lado, a ambição dos deputados estaduais por cargos no Governo beira às raias do absurdo. Um cenário em que acenderam o estopim de uma bomba que ninguém sabe onde e quando poderá explodir.
Nem tanto ao céu…
Por outro lado, a República do TCE, como ficou conhecido o grupo do guru Antônio Malheiros que comanda o Gabinete Civil e a Fazenda do atual Governo, está primando por uma gestão de “cortes”. Estão defendendo com unhas e dentes o equilíbrio fiscal do Governo e protegendo o CPF de Gladson Cameli de possíveis dores de cabeça futuras. É uma gestão do “não” e do “nada pode”.
…nem tanto à terra
No entanto essa política traz na sua essência uma filosofia econômica recessiva. Não será possível realizar o projeto prometido nos palanques de um Acre desenvolvido economicamente com os cofres públicos permanentemente fechados. Esse tipo de política cria uma dependência ainda maior dos empregos públicos. Não facilita a ampliação dos negócios privados que estão amarrados a espera da boa vontade do Governo para fazer os pagamentos. É um cenário de apreensão.
Contradição
Na minha observação quem tem tido uma relação mais próxima da população para realizar ações que possa beneficiá-la é o próprio governador Gladson Cameli. Mas também percebo que quando ele chega com as suas demandas dentro do Governo é podado na alta. Assim acontece o fenômeno que assistimos de um governador com alta popularidade e um Governo de baixíssima popularidade.
Será preciso desenhar?
Quem ganhou a eleição para governar o Acre foi o Gladson e não o Malheiros, Ribamar ou Semirames Dias. Mas efetivamente são eles que estão dando as cartas e os rumos para a gestão. Nada acontece nesse Governo que não passe pelo crivo deles. É preciso que a equipe tenha mais confiança na sensibilidade do governador e o governador acredite mais em si mesmo.
Pivô da crise
Pois foi exatamente esses setores da República do TCE, Fazenda e Gabinete Civil, que desencadearam a crise do Governo com os parlamentares. Os vetos eram pra conter gastos. Mas anteriormente já tinham concordado com essas questões junto aos parlamentares durante as negociações da LDO. Uma patuscada sem fim.
Por outro lado…
É evidente que recursos extra orçamentários para a ALEAC, no intuito de cobrir rombos da gestão anterior, deveriam ser contingenciados. Mas essas coisas têm que ser feitas com elegância e muito diálogo político. Não se pode fazer um negócio e no dia seguinte roer a corda, como se diz no popular.
Você tem fome de quê?
Também os deputados da base governista deveriam baixar as suas exigências por cargos aos apaniguados. A gente sabe que a maioria desses salários são dinheiro jogado fora. Muitos não produzem nada. Só recebem para depois balançarem bandeira nas próximas eleições. Mas isso também deveria ser objeto de negociações transparentes e não de promessas que não serão cumpridas como a gente tem visto.
Questão de unidade
Falta ao atual Governo unidade. Muitos grupos com diferentes lideranças políticas puxam cada um a sardinha pro seu lado. E o projeto com que o Gladson Cameli ganhou o Governo? Esse não pode ser esquecido. Mas para que isso possa acontecer e satisfazer a população do Estado é preciso que haja uma linha definida e uma harmonia dentro da gestão. Só quem pode conseguir isso é o próprio governador com pulso firme e fazendo prevalecer o seu ponto de vista. Afinal foi ele o escolhido por milhares de acreanos pra governar e não os “satélites” a sua volta que parecem estar “encantados” com o poder.

