Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 22:59
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Só vai ter crise no Acre se o Governo atrasar os salários dos servidores

O maior problema que o governador Gladson Cameli (Progressista) enfrenta no momento são os seus “aliados”. Tem alguns que estão sempre conspirando e tentando criar crises onde não existe. Não estamos na Suíça (que aliás teve ontem o seu Dia Nacional), mas num estado da Amazônia que depende ainda de recursos federais para manter a sua economia ativa. Existem enormes problemas no Acre com a segurança pública e a saúde. Isso porque não foram gerados em outros governos empregos suficientes para toda a população. Pior ainda que não conseguiram fortalecer a iniciativa privada para dar oportunidades a mais pais de famílias, já que não é possível emprego público para todos os acreanos. Então não vivemos num paraíso. Mas também não estamos num inferno. A crise econômica é nacional, ou melhor dizendo, mundial. Mais terrível ainda é o momento de intolerância de todos contra todos, cada um defendendo os seus interesses pessoais e dizendo ser a “voz do povo”.

Realidade
Não criem “crises” à toa em jogos de palavras. Porque posso dar o meu depoimento depois de 15 anos cobrindo política no Acre. Só vai haver uma crise verdadeira se o Governo do Estado atrasar os salários dos servidores. Mas no momento está tudo em dia e o décimo terceiro tem a sua metade já paga. Então quem está apostando no caos poderá se decepcionar. Sem falar que as licitações de obras e prestações de serviço estão começando a sair o que deve aumentar o volume de dinheiro em circulação no mercado acreano.

Criadores de crise
Então vejo alguns deputados estaduais supostamente, aliados do governador Gladson Cameli, fantasiando crises em cima de crises. Eu estava presente na coletiva de imprensa em que ele falou ironicamente que não repassaria o complemento de R$ 700 mil mensal para a ALEAC. Ele não anunciou uma decisão, mas fez uma ironia.

Assim é…
No meu entender quis dizer que do mesmo jeito que a licitação de um avião para o Estado deveria ter seus recursos direcionados para a saúde, também o complemento para os deputados estaduais, que já têm um orçamento de R$ 200 milhões por ano para 24 parlamentares, deveria ter o mesmo destino, a saúde. Falou de maneira jocosa e não anunciando um corte de maneira oficial.

…se lhe parece
Pois criaram outra fantasiosa crise em cima disso. Mas uma pergunta que não quer calar: “pra quê mesmo os deputados precisam de um complemento de mais R$ 700 mil por mês?” Os quase R$ 200 milhões de orçamento da ALEAC não são suficientes para aprovarem tudo que vem do Executivo?

Até tu Nicolau?
O mais interessante foi o cunhado do governador, presidente da ALEAC, Nicolau Júnior (Progressista), engrossar o pescoço e salientar a independência do Legislativo. Se o presidente leu a Constituição Brasileira sabe que essa independência é inerente e não precisa ser lembrada. Se o repasse complementar é constitucional então por que tanto barulho com a “ironia” do governador? Se Gladson não cumprir estará sujeito às sanções da Lei e fim de papo.

Oportunismo
Tenho assistido a oposição ao Governo na ALEAC muito mais coerente e educada com o novo Governo do que os aliados. O deputado estadual Roberto Duarte (MDB) não está se comportando como independente, mas como o maior opositor ao atual governador. É um direito que todo parlamentar tem dentro de uma democracia. Roberto é um advogado qualificado e um político de futuro. Agora, na minha opinião, deve se assumir como opositor e fim de papo. Isso faz parte do jogo democrático. Que faça o seu mandato de acordo com a sua consciência e o interesse do seu grupo político. E todos serão felizes para sempre sem hipocrisias.

Pérolas aos porcos
Pior ainda são outros deputados que se dizem “aliados” que não falam nada. Ficam pelos cantos conspirando e falando mal do Governo por não terem tido os seus interesses imediatos atendidos. O quê eles querem? Mais cargos e mais poder. Simples assim.

Parte do jogo
Por outro lado, o governador Gladson Cameli já entendeu como é o jogo. Com a caneta na mão do Executivo terá que fazer uma opção. Aceita ou entrará em conflito com a maioria dos deputados da ALEAC. Se isso acontecer será uma queda de braço que a população decidirá quem tem razão. O resultado dessa contenda, se ela acontecer, será visto nas eleições de 2022. Simples assim.

Questão de foco
Os principais problemas do Acre não são a contratação de um avião para ser usado em eventualidades e nem um suposto repasse de mais R$ 700 mil para a ALEAC, em 2020. A segurança e a saúde estão pedindo socorro. Então que os deputados se aliem, não necessariamente com o governador, mas com a população e ajudem a resolver esses sérios problemas. Façam sugestões, criem audiências públicas, ouçam as queixas das pessoas e levem para a tribuna da ALEAC. Deixem essas querelas políticas para os futuros embates eleitorais. O momento requer a união de todos para que o projeto de “mudança” realmente aconteça. Não pra beneficiar um ou outro grupo político, mas todos os acreanos.