Rio Branco, AC,26 de junho de 2026 14:58
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Neri acusa Senado de fazer “chantagem institucional”, defende fim da escala 6×1 e critica pautas de costumes como “cortina de fumaça”

A deputada federal Socorro Neri (PP) voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, criticou a condução do tema pelo Senado Federal e afirmou que pautas de costumes têm sido utilizadas para desviar a atenção de debates considerados prioritários para o país. As declarações foram feitas nesta quinta-feira, 25, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.

Segundo a parlamentar, a Câmara dos Deputados aprovou o texto após forte mobilização popular, mas o projeto acabou perdendo força no Senado.

“O ambiente na Câmara também era de não aprovar. Mas, quando a população foi às ruas e se manifestou, houve uma mudança. No final, conseguimos garantir o principal, que foi a redução da jornada para a escala 5×2, sem o prazo de dez anos que alguns defendiam”, afirmou.

Socorro disse que, agora, cabe ao Senado dar andamento à proposta, mas acusou a Casa de utilizar o tema como instrumento de negociação política.

“Hoje eu acredito que o Senado está usando isso como moeda de troca. É uma chantagem institucional, algo profundamente lamentável, mas que infelizmente é uma realidade no Brasil”, declarou.

A progressista também criticou uma proposta que, segundo ela, amplia a remuneração por hora trabalhada.

“Querem transformar o trabalhador em alguém que vende apenas horas de trabalho. A pessoa fica à disposição do empregador, mas só recebe pelas horas efetivamente trabalhadas. O que já é ruim pode ficar ainda pior para quem vive do próprio trabalho.”

Socorro demonstrou preocupação com o avanço da chamada uberização e da pejotização das relações de trabalho. Segundo ela, muitos trabalhadores acreditam possuir autonomia, mas acabam ficando sem proteção previdenciária e trabalhista.

“É um trabalhador adoecido. Se ele não trabalha, não recebe. Quando precisar se afastar por doença ou chegar à aposentadoria, poderá descobrir que não tem qualquer amparo da Previdência porque não contribuiu.”

“Cortina de fumaça”

Na avaliação da deputada, temas ligados aos costumes têm ocupado espaço excessivo no Congresso enquanto assuntos econômicos e sociais permanecem sem solução.

“O Congresso deveria estar debatendo economia, saúde, educação, desenvolvimento e as novas formas de exploração do trabalho. Em vez disso, vemos discussões que acabam servindo de cortina de fumaça.”

Como exemplo, Socorro criticou a rapidez com que o Senado apreciou a proposta que revogou uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

“Enquanto temas importantes, como o fim da escala 6×1, ficam parados, outras matérias são votadas em poucos minutos. Isso desvia o foco dos problemas que realmente impactam a vida da população”, frisou a parlamentar.