Rio Branco, AC, 24 de julho de 2026 16:11
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Leonildo Rosas critica jornalismo no Acre e acusa governo de usar verba de mídia para “calar e silenciar a imprensa”

O jornalista Leonildo Rosas afirmou que o Acre vive um período de enfraquecimento do jornalismo de qualidade e investigativo e acusou o atual modelo de comunicação política de transformar a imprensa em instrumento de interesses particulares. As declarações foram feitas nesta quinta-feira, 23, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, que também recebeu o ex-governador Tião Viana.

Segundo Rosas, o Estado enfrenta há anos uma redução da presença do jornalismo de qualidade e investigativo, situação que, em sua avaliação, contribuiu para o cenário político atual. “No Acre há muito tempo não tem jornalismo”, afirmou.

O jornalista e ex-secretário de Comunicação no governo de Tião, criticou ainda a forma como pesquisas eleitorais e seus resultados são repercutidos por veículos de comunicação. Sem apresentar, no trecho da entrevista, detalhes sobre a pesquisa mencionada, Rosas questionou a divulgação de resultados que apontariam liderança de um ex-governador e fez uma acusação contra o político.

“A única coisa que esse homem liderou foi uma organização criminosa”, declarou. Em seguida, afirmou que sua acusação estaria respaldada por decisões judiciais, citando o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Rosas também acusou o governo de ter utilizado recursos destinados à comunicação para exercer influência sobre a imprensa. Segundo ele, teria havido pressão tanto por meio da distribuição de verbas publicitárias quanto por mecanismos externos a esses recursos.

“Nunca se gastou tanto para calar e silenciar a imprensa como nesse governo, seja por dentro da verba de mídia, seja por fora da verba de mídia”, afirmou.

O jornalista comparou ainda o cenário atual com o período em que esteve à frente da comunicação do governo Tião Viana. Segundo Rosas, naquela época a administração recebia críticas frequentes da imprensa, mesmo com um orçamento de comunicação que, segundo ele, era menor.

“O tanto que nós éramos criticados. E, olha, que não era metade do que se gasta hoje”, disse.

Ao fazer uma avaliação sobre o jornalismo acreano, Rosas afirmou que existem poucas exceções e classificou parte do cenário atual como “mercantilismo”. Na visão dele, determinados profissionais e veículos teriam abandonado o compromisso com a apuração e a verdade em favor de interesses de grupos políticos e econômicos.

“O que nós temos hoje é o mercantilismo. Pessoas que se submetem a mentir, a levantar notícias que não têm fundamento a serviço de uma meia dúzia de pessoas”, declarou.