Rio Branco, AC,23 de junho de 2026 14:40
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Quem cobra hoje precisa responder pelo que não fez ontem

A manifestação do ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, em defesa do Hospital Santa Juliana, traz à tona um tema importante: a necessidade de garantir que instituições de saúde recebam os recursos necessários para continuar atendendo a população.

O problema é que a credibilidade de qualquer cobrança pública depende também do histórico de quem a faz.

Ao cobrar eficiência, planejamento e compromisso do Governo do Estado, Bocalom inevitavelmente convida a sociedade a revisitar a própria gestão municipal e analisar se as mesmas exigências foram cumpridas quando ele ocupava o principal cargo do Executivo da capital acreana.

Durante anos, milhares de usuários do transporte coletivo de Rio Branco enfrentaram um sistema marcado por reclamações constantes, redução de linhas, demora nos horários, ônibus superlotados e dificuldades de acesso aos bairros mais afastados. O transporte público se transformou em uma das principais fontes de insatisfação da população.

Mesmo diante das queixas recorrentes, os problemas persistiram durante toda a gestão municipal, sem que a população percebesse uma transformação estrutural capaz de resolver definitivamente a crise da mobilidade urbana.

Outra promessa que merece ser lembrada é a da habitação popular. A gestão municipal anunciou metas ambiciosas para reduzir o déficit habitacional e ampliar o acesso à moradia para famílias de baixa renda. No entanto, muitas das expectativas criadas não se converteram em resultados concretos na velocidade e na dimensão prometidas.

Enquanto milhares de famílias continuaram aguardando a oportunidade de conquistar a casa própria, o discurso frequentemente avançava mais rápido que as entregas efetivamente realizadas.

É legítimo que qualquer líder político cobre soluções para a saúde pública. O Hospital Santa Juliana desempenha um papel fundamental no atendimento dos acreanos e merece respeito institucional. Mas também é legítimo que a sociedade cobre coerência daqueles que hoje apontam falhas nos outros.

A política não pode funcionar como um exercício seletivo de memória, em que os problemas do presente são destacados enquanto as dificuldades do passado são convenientemente esquecidas.

Antes de assumir o papel de fiscal da gestão alheia, todo agente público deve estar disposto a prestar contas do próprio legado.