Tenho observado a origem das crises políticas surgidas durante os primeiros seis meses do Governo de Gladson Cameli (PP). Todas estão relacionadas diretamente à distribuição de cargos. As lideranças partidárias estão com um apetite leonino. Não há uma preocupação com um novo projeto social e econômico para o Acre, mas o desejo de fortalecimento das ambições pessoais para o futuro. Ou seja, os personagens que gravitam na política acreana estão pensando mais em futuras eleições do que na gestão propriamente dita. Assim não tem como dar certo. Sobretudo, se o governador Gladson Cameli ceder às pressões que aumentam a cada dia dos supostos “aliados”. Se ele satisfazer a sanha e o apetite de todos os partidos acabará com um Governo inchado e imobilizado por gastos excessivos com os apoios políticos. Isso deverá inviabilizar investimentos urgentes que se fazem necessários na saúde, na educação, na segurança e na geração de emprego e renda para a população acreana.
Gula reprimida
Atribuo esse apetite voraz dos “aliados” ao fato de terem permanecido 20 anos longe das tetas do poder. Agora, querem se banquetear com cargos e vantagens que não tiveram acesso no período que o PT deu as cartas no Governo do Estado. Diz o ditado que quem vai com muita sede ao pote acaba quebrando o pote e esparramando todo o seu conteúdo. Mas o pessoal da “antiga oposição” parece não entender essa premissa simples.
Crises seguidas
Em apenas uma semana três problemas políticos sérios para o governador resolver e nenhum deles relacionados à gestão propriamente dita. Primeiro foi o líder do Governo na ALEAC, deputado estadual Luiz Tchê (PDT) que ameaçou deixar a liderança porque alguns parlamentares não estavam satisfeitos com a “barganha dos cargos”.
Núcleo duro
Depois muitas “fofocas” em torno da nomeação de Ricardo França para compor a equipe mais próxima ao governador. Ventilou-se uma ciumeira do secretário de Gabinete Civil, Ribamar Trindade. A origem dessas divergências passa por quem vai mandar mais dentro do Governo. Ou seja, mais uma vez os cargos estão no pano de fundo.
Bicadas tucanas
A mais recente crise coloca novamente Gladson e o PSDB em extremos opostos. A deputada federal Mara Rocha (PSDB) anunciou que vai deixar a base do Governo. O motivo principal seria a não demissão do secretário de Agricultura Paulo Wadt. Mais uma vez os cargos são os pivôs de uma nova crise política.
Incompreensível
Não entendo essa obsessão de alguns tucanos desejarem a exoneração de um secretário indicado por eles mesmos. Na época da nomeação de Paulo Wadt houve uma verdadeira batalha de bastidores em defesa do seu nome. Pelo que me consta o secretário é um técnico qualificado com bastante experiência no setor de produção rural. Mas será que ele não está atendendo demandas que ultrapassam questões técnicas? Essa história precisa ser melhor esclarecida.
Em cima do muro
Pelas declarações da deputada Mara Rocha o vice governador Major Rocha (PSDB), seu irmão e padrinho político, tentou demovê-la da ideia de abandonar o Governo. Mas ainda assim os motivos pelos quais os líderes do PSDB querem derrubar Paulo Wadt não estão claros. Mesmo porque em seis meses não é de se esperar um milagre no setor rural do Estado. O rapaz ainda não teve tempo de apresentar resultados e querem a sua cabeça numa bandeja. O mais maluco é que são os seus “aliados” que pedem a prenda. Essa história está muito obscura.
Esclarecimento
Acho que chegou a hora de deputada Mara Rocha vir a público esclarecer porque Paulo Wadt deve cair depois de ter sido indicado pelo seu partido. Se ele não tem capacidade técnica suficiente para o cargo então não existe nenhum problema. Mas se a questão é puramente política então estaremos caminhando para um caos absoluto dentro da gestão governamental.
Firmeza
Se o governador Gladson Cameli entrar nesse jogo político de interesses imediatistas estará com a sua própria cabeça a prêmio. Não há como governar com o propósito de servir a população acreana atendendo as vaidades dos políticos que o cercam. Ou toma de vez as rédeas do Governo com decisões firmes de acordo com a sua consciência ou será apenas um boneco com a faixa de governador. Na minha opinião, os aliados estão criando crises desnecessárias num momento em que o Governo ainda está em formação. Não se iludam de que a população não esteja vendo tantas jogadas nos bastidores políticos. Em breve, as cobranças para que a gestão estadual acerte os ponteiros e mostre resultados serão intensas. E se as coisas não andarem aos olhos do povo todos os aliados políticos que levaram Gladson Cameli ao Palácio Rio Branco serão prejudicados.

