Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 23:37
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Base de apoio político do Governo Gladson na Assembleia é frágil e instável

A maioria dos deputados estaduais que foram eleitos no projeto político capitaneado pelo atual governador Gladson Cameli (Progressista) estão fazendo jogo duplo. Ou seja, ocupam a tribuna pra falarem de algumas conquistas do Governo, mas fogem do debate quando se tratam de pautas desgastantes. Resumindo querem as benesses do poder sem os reveses naturais de qualquer gestão. Cobrindo jornalisticamente diariamente os trabalhos na ALEAC posso apontar apenas dois parlamentares que têm defendido o Governo em quaisquer circunstância, Gehlen Diniz (Progressista) e Nenem Almeida (SD). Uns ficam calados e outros se fingem de mortos quando a oposição aponta o dedo para os problemas. Essa situação é uma temeridade para o governador. Porque demonstra uma fragilidade política enorme da sua base no Parlamento Estadual. Dependendo do humor momentâneo não duvido que alguns desses deputados da base seriam capazes de votar contra os interesses do Executivo. Mesmo porque muitos nem têm convicção de fazerem realmente parte do projeto do atual Governo por responderem a outras lideranças nos planos nacionais.

O caso do MDB
O deputado Roberto Duarte (MDB) tem se mantido independente. Pelo menos é o que ele diz para a imprensa. Mas na vida real é um dos maiores opositores do Governo. Por outro lado, a deputado Antônia Sales (MDB) tem sido uma das maiores críticas da saúde pública do Estado. A mulher anda muito e sabe do que está falando. Os discursos da Antônia têm sido aplaudidos pela oposição. Já a Meire Serafim (MDB) tem permanecido silenciosa.

Um líder vindo da FPA
O deputado Luiz Tchê (PDT) indicou até o vice da chapa do PT que concorreu com o Gladson. Agora, ele é o líder de um projeto de Governo o qual fez oposição nas eleições. Realmente isso não dá pra entender. No dia-a-dia dos trabalhos da ALEAC, Tchê é visto muito mais dialogando com os ex-colegas da FPA do que da base governista. É muito estranho um projeto político de gestão estar sob a responsabilidade de quem caiu de paraquedas no meio do processo.

Presidente-parente
Nicolau Júnior (Progressista), presidente da ALEAC, é cunhado do governador. Mas o seu espelho pra conduzir os trabalhos legislativos é o ex-presidente Ney Amorim, candidato ao Senado pelo PT, de quem é amigo pessoal. Aliás, foi o Ney quem realmente articulou a sua eleição a presidente. Na minha percepção a sua trilha está mais identificada com o ex-petista do que com o Gladson.

Tucanos
Os deputados tucanos Luiz Gonzaga (PSDB) e Cadmiel Bomfim (PSDB) têm no vice Major Rocha (PSDB) a sua principal liderança. Obviamente que jogam para o crescimento do partido no Estado. Gonzaga ainda entra em algumas “bolas divididas” para defender o Governo. Mas Cadmiel, apesar de ser um ótimo orador, prefere manter-se em silêncio no seu canto.

Homem certo
A indicação de Alysson Bestene para fazer o meio de campo do Governo com os deputados da ALEAC foi correta. Mas os recentes fatos ligados à pasta da Fazenda o levaram para uma nova missão. Alysson se tiver o apoio necessário, quando voltar pra Articulação, poderá mudar um pouco esse espectro não muito favorável ao governador na ALEAC.

Paradoxo
Tenho escrito que o atual Governo está longe da popularidade pessoal do governador Gladson Cameli. Mas essa diferença tem que se harmonizar. As reclamações contra o Governo são cada dia maiores. Vai chegar a um ponto que nem o carisma de Gladson conseguirá contornar certos problemas.

Destrato
Já ouvi de alguns deputados da base que foram tratados com desdém e até grosseria no Gabinete Civil. Eles ficam em silêncio na hora pra depois ruminarem reclamações pelos corredores da ALEAC. É um quadro que precisa ser avaliado com urgência pelo governador sob o risco de ver esfacelada de vez a sua base de parlamentares que garantem a sua governabilidade.