Rio Branco, AC,12 de junho de 2026 06:01
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Emerson Jarude: ‘Fui convidado pelo MDB para disputar a prefeitura ou a reeleição’

O vereador Emerson Jarude (Sem Partido) tem conseguido inovar no seu mandato de vereador de Rio Branco. O jovem advogado fez concurso para preencher as vagas no seu Gabinete e abriu mão de diversas regalias que teria direito como parlamentar municipal. Jarude tem andado bastante por todos os bairros de Rio Branco, conversado com a população e avalia a possibilidade de ser candidato a prefeito. Recebeu um convite do MDB para filiação e está analisando a possibilidade. Acompanhe a entrevista.

Nelson Liano – Vereador Jarude como o senhor está vendo o quadro para a disputa da prefeitura de Rio Branco em 2020?

Emerson Jarude – Um cenário muito bom. E a pergunta que mais tem sido feita pra mim é se sou candidato a prefeito. De fato eu sou candidato, mas se a prefeito ou vereador não é uma decisão só minha, mas da população, dos apoiadores e da minha família. Estou à disposição para contribuir. Quero terminar o meu mandato de vereador com o mesmo empenho e determinação com que comecei. Mas quero pensar Rio Branco.

NL – Procede essa notícia de que o senhor pode ir para o MDB e ser vice do Roberto Duarte. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

EJ – O Roberto é um colega de parlamento e desde a Câmara que temos muitas afinidades nas nossas votações. Já faz um bom tempo que ele está me convidando pra ir pro MDB. Ele fez o convite pra eu disputar a prefeitura e também deixou a porta aberta se eu quiser disputar a reeleição para vereador.

NL- Então o Roberto te convidou pra disputar a prefeitura?

EJ – Sim como candidato majoritário. Mas deixou livre se eu quiser disputar pra vereador.

NL – Como o senhor vê isso? Recebeu outros convites?

EJ – Alguns amigos de outros partidos brincam. Mas oficialmente até agora não houve convites. Mas esse do MDB é um convite que estou pensando. O cenário está posto e acredito que precisamos mudar radicalmente a prefeitura de Rio Branco, de pessoas que pensem num plano de governo não só para apresentar ao TRE, mas sim pra colocar na prática. Rio Branco está longe de ser uma das melhores capitais do país porque os índices não vêm sendo os adequados. Queremos entrar o ano que vem pensando numa condição melhor para o município.

NL – Qual a crítica principal que o senhor faria à gestão da prefeita Socorro Neri (PSB)?

EJ – Sou muito fã da educação que pode transformar a nossa sociedade. E encontramos na educação municipal diversas falhas e compromissos assumidos e não cumpridos. Também vejo a cidade acabada por falta de infraestrutura, principalmente, a periferia. A prefeita embeleza o centro da cidade, mas esquece dos bairros que estão em condições de calamidade precisando urgentemente de intervenções. Eles querem mostrar que estão trabalhando, mas não atendem as necessidades da população.

NL – Nesses três anos como vereador andando pela cidade quais os pontos que o senhor usaria para um projeto de gestão em Rio Branco?

EJ – Temos que pensar infraestrutura e na questão da mobilidade urbana. Rio Branco hoje está com 400 mil habitantes e nós não temos um transporte público de qualidade. Principalmente nos bairros mais afastados. Existem regiões onde táxi, mototáxi e UBER não entram. Se o poder público não se fizer presente, ainda mais com a questão da violência, não teremos uma cidade melhor. O segundo ponto é a iluminação pública porque a nossa cidade tem ficado cada dia mais no escuro. Eu apresentei na Câmara uma solução sustentável com energia solar que iluminaria com melhor qualidade. Mostrei o custo benefício desse projeto, mas não obtive resposta da prefeitura. E um terceiro ponto é o saneamento básico. Nós sofremos muito com a falta de água mesmo estando dentro da Amazônia. É inadmissível que Rio Branco que tem um dos maiores aquíferos da América do Sul ainda sofra com a falta de água. Precisamos levantar esse debate e trazer o saneamento para o âmbito municipal, tirando do Estado, que já demonstrou a sua incompetência nesse aspecto.

NL – Caso o senhor seja candidato a prefeito e vença a eleição. Como seria a sua relação com o Governo do Estado comandado pelo Gladson Cameli (PP)?

EJ – Passadas as eleições é preciso deixar bandeiras políticas de lado. A população é uma só e ninguém quer o mal da prefeitura ou do Estado. Quem pensar assim estará prejudicando a população. Portanto, a relação tem que ser a melhor possível com a Bancada Federal, com o Governo e os vereadores. A atual prefeita não tem escutado os vereadores e tenho essa percepção de dentro da Câmara. Não podemos privilegiar partidos políticos e empresas, mas o cidadão.

NL – Só pra finalizar. Todo político, todo escritor, todo jogador de futebol tem um ídolo. Alguém para se espelhar ou para se inspirar. Quem seria esse espelho na política brasileira para inspirar a sua atuação?

EJ – Eu gosto muito do senador Regufe (Sem Partido – DF). A minha campanha foi muito semelhante a dele, sem placas nas casas, sem carro de som, sem pessoas pagas para balançar as bandeiras. Ele tem votado no Senado de acordo com os interesses da população, mandando as emendas onde existem mais necessidades e não onde tem mais votos. E sempre consultando as pessoas. Acredito que o parlamentar tem que ser democrático. Ele abriu mão das regalias e privilégios. É um exemplo a ser seguido não só pelos parlamentares do Acre, mas de todo o país.