Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 20:55
Home / BLOGS E COLUNAS / Bate-Papo / Está no hora de Gladson Cameli fazer valer a faixa de governador

Está no hora de Gladson Cameli fazer valer a faixa de governador

Ninguém poderia fazer um julgamento correto de um Governo instalado a menos de 60 dias. Seria precipitado e oportunista dizer que está indo bem ou mal. No entanto, alguns sintomas revelados nesses poucos dias são bastante preocupantes e poderão levar a uma enfermidade futura muito grave se não forem bem curados. Percebo a formação de grupos políticos “independentes” dentro do Governo com objetivos e interesses próprios. O pior é que são “adversários” entre eles. Cada um luta para conseguir mais nomeações de aliados e consequentemente poder. Aquela máxima de “farinha pouca, meu pirão primeiro” nunca esteve tão em alta como nesse Governo. E enganam-se os conselheiros do governador Gladson Cameli (PP) de que a população não está percebendo. Então é preciso acabar urgente com essa farra. E só quem tem poder pra fazer isso é o governador eleito pelo voto popular. Se não fizer urgente poderá ser engolido pelos “aliados” que colocou para ajuda-lo governar. No popular, tem que reunir todos numa sala dar um murro na mesa e dizer quem é que manda. Aqueles que não concordarem com o comando pode indicar o caminho da rua. Gladson tem força nesse momento pra fazer isso porque ainda está em lua de mel com os eleitores que lhe deram o mandato. Mas com o passar do tempo ficará muito difícil controlar esse loteamento do Governo e as consequências podem ser piores do que se imagina. E quem mesmo que irá sofrer? Podem apostar que a população do Estado.

Fora de lugar

O que tenho observado é que a premissa principal de campanha de Gladson Cameli (PP), “pessoas certas, nos lugares curtos” não está sendo cumprida. Ao contrário, as nomeações em profusão de cargos de confiança têm indicado “pessoas erradas nos lugares errados”. O critério técnico não está sendo obedecido na maioria das vezes. Está valendo muito mais a opção partidária, o grupo político a qual se pertence, o parentesco e o grau de amizade para as pessoas ocuparem os cargos no Governo. Sem falar dos desgastes desnecessários das nomeações de pessoas que respondem processos jurídicos e alguns até já condenados integrando o primeiro escalão. Tudo isso é muito preocupante.

Engano meu

Acreditei sinceramente que o governador Gladson Cameli iria fazer diferente pelo menos no início do seu Governo. Nomear apenas técnicos com qualificação comprovada para depois, mais adiante, colocar o pessoal da política e das relações pessoais. Mas me enganei completamente.

Exemplo da história

Muita gente fala que Binho Marques (PT) foi um dos melhores governadores do Acre. Me lembro que quando ele assumiu, em 2007, deixou a turma da política meses sem colocação. Só foi nomear esse pessoal depois de seis meses apesar da gritaria e do ódio dos “companheiros”. Ainda assim foi muito seletivo nas escolhas. Até hoje muitos petistas são magoados por terem perdido as suas “boquinhas” durante o governo de Binho Marques, um dos mais técnicos da história do Acre.

Nadando em dinheiro

Essa seletividade seria uma maneira do Estado fazer caixa nesse momento de crise econômica. Ainda mais com a herança que recebeu do governo anterior. Aos poucos as coisas iriam se ajustando. Obviamente que a política tem um papel numa gestão, mas não é urgente. Poderia se esperar mais para colocar esse pessoal. Eleição só em 2020 e depois em 2022. Até lá o momento é de gestão.

Salvação da lavoura

Na realidade, são muito poucos os que ocupam as pastas do Governo que têm qualificação e preparo técnico indiscutíveis. Entre eles destaco Thiago Caetano da Infraestrutura e Paulo Wadt da Agricultura. O Alisson Bestene da Saúde tem um desafio “monstro” pela frente, mas é um profissional serio. Tem gente que gosta de trabalhar como a Eliane Sinhasique, a Maria Alice, a Silvânia Pinheiro que certamente darão respostas positivas. Deve haver outros, mas que não saberia citar nesse momento. Mas a maioria contempla a sanha de poder dos partidos e aliados. Sobretudo em cargos de diretoria e chefias. Isso poderá colocar o governador em maus lençóis em pouco tempo.

Esperança é a última que morre

Mas como foi dito estamos apenas no começo do governo. Existe tempo de sobra para que os erros sejam corrigidos. Mas é essencial que o governador acabe com os grupos políticos que o cercam e traga a responsabilidade da gestão para si. Ninguém votou em secretário de Gabinete Civil. Aliás, o povão nem sabe quem é quem nos cargos de primeiro escalão. Se o governo der certo ou errado o mérito ou o demérito estará diretamente ligado ao nome de quem foi eleito pelo voto popular, ou seja, Gladson Cameli.