Rio Branco, AC,12 de junho de 2026 00:55
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Petecão: “Bolsonaro deveria usar a sua força popular pra juntar e não pra espalhar”

Nessa data histórica do Acre tive a oportunidade de fazer um bate-papo com um dos personagens mais ilustres do bairro 6 de agosto, em Rio Branco. Trata-se do senador de segundo mandato Sérgio Petecão (PSD), que já foi quatro vezes presidente da ALEAC, deputado federal, e atualmente secretário da mesa diretora do Senado, o segundo cargo mais importante da Casa.

Nessa conversa Petecão fala sobre os importantes e polêmicos projetos que o Senado terá que votar no segundo semestre. Entre eles a Reforma da Previdência e a indicação à Embaixada Brasileira no Estados Unidos do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL).

Também responde sobre as especulações de que pretende ser candidato a governador do Acre, em 2022. Fala das articulações políticas do seu partido PSD nas próximas eleições municipais e avalia o Governo de Gladson Cameli (Progressista) no seus primeiros sete meses. Acompanhe:

Nelson Liano Jr. – Depois do recesso parlamentar terá a importante votação da Reforma da Previdência no Senado. Os trabalhos iniciam nesta semana e o senhor acredita que os senadores confirmarão a decisão da Câmara dos Deputados?

Senador Petecão – Acho que o Senado vai melhorar essa Reforma que precisa de alguns ajustes. Os estados e municípios ficaram fora da reforma. O ideal seria que não tivéssemos que votar nenhuma reforma. Que o Brasil estivesse com uma boa economia, gerando emprego e renda, mas infelizmente vivemos uma situação grave e é preciso tomar algumas decisões. Alguns parlamentares têm medo do desgaste político e eu penso que temos que ter muito cuidado e habilidade para que com a Reforma não venhamos a prejudicar as pessoas mais humildes. Tem muita gente bacana e setores onde é preciso cortar na carne. Todos têm que ceder um pouco, sejam militares, políticos ou civis. Nosso país precisa voltar a crescer e gerar empregos para a nossa juventude porque não tem outra saída. Essa violência que assusta a todos nós é gerada pela falta de empregos. Tenho certeza que o Senado dará uma grande contribuição incluindo os estados e municípios na Reforma da Previdência.

NLJ – Um outro porco espinho que chegará para os senadores decidirem é a indicação do Presidente Bolsonaro (PSL) do seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), para a principal embaixada brasileira, no Estados Unidos. O senhor acha que vai passar? Mesmo se configurando nepotismo?

SP – Eu tenho acompanhado isso pela imprensa. Ainda não conversei com o presidente, mas com certeza nós da base seremos chamados logo na volta à Brasília. Eu preciso ouvir dele quais os benefícios que isso pode trazer para o nosso país. Confesso que estou preocupado porque nós temos outros projetos bem mais importantes que iriam gerar bem menos desgaste ao presidente Bolsonaro. Quero que este Governo dê certo, no entanto, qualquer projeto que venha colocar em risco a credibilidade do Governo me preocupa. Eu acho que esse não era o melhor momento para se fazer essa votação lá no Senado. Agora quero ouvir da boca do presidente, mas pra mim essa votação não deveria ser prioridade.

NLJ – O presidente Bolsonaro é sempre muito polêmico nas suas declarações. Já chamou os governadores do Nordeste de “paraíbas”, já falou em trabalho infantil. Recentemente teve um entrevero com o presidente da OAB. Como o senhor avalia essas declarações que soam desastradas na imprensa? Como isso repercute dentro do Senado?

SP – Sinceramente se o Bolsonaro me pedisse um conselho eu diria pra ele falar menos. Nós estamos numa situação muito difícil. O Bolsonaro pegou um Brasil esfacelado pelo PT. Estamos mergulhado numa crise e o presidente precisa ter o bom senso que pra sair de uma crise dessas não se pode ficar brigando. Como, por exemplo, o que aconteceu com o presidente da OAB, que é uma instituição democrática muito importante. Acho que algumas falas do presidente são desnecessários, não somam, não ajudam. Agora é hora da gente de unir forças pensando num Brasil melhor. O presidente Bolsonaro deveria guardar essa sua força e popularidade pra que nós pudéssemos juntar e não espalhar.

NLJ -Agora falando da política acreana. Qual a avaliação que o senhor faz do Governo Gladson Cameli depois de sete meses?

SP – Posso dizer que sou um amigo verdadeiro do Gladson. Estivemos juntos como deputados federais e depois senadores. Eu quero muito que o Governo do Gladson dê certo. Sei da preocupação da sua família, do seu pai e das pessoas que estiveram juntos com ele na campanha, entre as quais eu me incluo. O Gladson pegou o Estado quebrado pelo PT. Eu vejo a ansiedade do Gladson pra acelerar as coisas pra que deem certo, mas é preciso ter muita calma e tranquilidade. Hoje o governador tem um prestígio grande com a nossa bancada federal. Existe um sentimento de todos o parlamentares de querer ajudar. Mas tenho certeza que depois de quatro anos vamos olhar pra trás com o sentimento de dever cumprido. Mas a pressão é grande. Se o Governo Federal está mergulhado numa crise financeira imagine o nosso Estado. O importante é que todos nós tenhamos como propósito tirar o Acre dessa crise.

NLJ – Pra concluir o nosso bate-papo. A pergunta que se faz nas ruas do Acre é se o senhor pretende ser candidato a governador, em 2022. É o seu sonho senador? Pensa nessa possibilidade?

SP – Tenho muitos amigos na imprensa e muitos são os fofoqueiros que inventaram esse negócio da candidatura de Governo. Acho que se o Gladson fizer uma boa gestão, e vamos lutar pra isso, ele é um candidato natural à reeleição. Quando eu terminar essa meu mandato de senador estarei com 32 anos de mandatos. Isso é uma história, uma vida. O sonho de um jogador de futebol é chegar à Seleção Brasileira, assim como o sonho de todo político é ser governador do seu estado. Eu tenho esse sonho e não vou mentir porque eu seria hipócrita. Mas agora não aceito discutir isso. A nossa preocupação neste momento é com a eleição municipal. Mesmo assim nem estamos preocupados com as candidaturas majoritárias. Mas empenhados nos candidatos a vereadores para fortalecer o nosso partido. Estou correndo o Acre inteiro com esse propósito. Faço política porque gosto, mas com toda sinceridade não me passa pela cabeça qualquer candidatura ao Governo.