Depois de alguns meses sem atualizar a coluna vou começar de maneira poética parafraseando o épico poema de Carlos Drummond de Andrade. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho…”Pois essa é a realidade atual do governador Gladson Cameli (Progressistas) em relação à saúde pública do Estado, uma pedra pontuda e difícil de ser retirada do caminho. Isso porque essa pasta mexe com os interesses de muita gente e o próprio Gladson vem denunciando supostas irregularidades existentes na saúde. Será que ele terá força e coragem para retirar essa pedra do seu caminho? Se conseguir vencer a demanda fará história. Porque não existe ninguém que não queira ver a saúde pública acreana funcionando a contento e salvando vidas. Mas pra realizar essa proeza, depois de falar em “cartel” e “máfia”, o governador precisará de muita ajuda. Começou importando a médica Mônica Kannan para assumir a Secretaria de Saúde. Aparentemente a profissional que atuava no Distrito Federal não tem nenhuma ligação política com o Acre. E isso, na minha opinião, é muito bom. Acredita-se que poderá fazer um trabalho técnico muito além de “interesses” provincianos que sempre existem numa paróquia de muro baixo em que todos se conhecem e a Lei de Gerson predomina. Então é esperar pra ver qual será o desfecho dessa novela.
Nada contra
O ex-secretário Alysson Bestene é um profissional competente. Ele tem muito prestígio como professor catedrático do curso de Odontologia da Uninorte. É dentista da prefeitura de Rio Branco e tem um consultório particular sempre cheio. Obviamente que assumiu o desafio de ser secretário de saúde com o propósito de ajudar o governador de quem é muito amigo e não por motivos financeiros. Mas Alysson foi cozido nas fogueiras das vaidades. Ele saiu por cima antes que a situação degringolasse de vez e fosse responsabilizado por aquilo que não tem culpa.
Questão familiar
Como sobrinho do deputado estadual José Bestene (Progressitas) sempre haveria dúvida sobre uma atuação apolítica de Alysson. Na sessão da ALEAC desta quarta, 4, Bestene afirmou que nunca indicou ninguém politicamente para a Saúde e que o sobrinho não pôde escolher livremente a sua equipe. Seja como for tudo isso ficou no retrovisor da jornada.
Recordar é viver
O fato da médica Mônica Kannan não ser acreana foi muito criticado por vários deputados na ALEAC. Mas isso me lembrou um acontecimento do Governo Binho Marques (PT). Naquela ocasião, havia uma crise no sistema prisional do Estado. Então Binho importou a gestora Laura Okamura para tentar reverter a situação. Laura “apanhou” até da imprensa oficial, naquela época, por não ser acreana, mas foi inegável a contribuição dada por ela à gestão de Binho. A “Japonesa”, como chamavam a mulher, resolveu vários impasses e se saiu muito bem.
Mistura indigesta
Política e saúde realmente não podem se misturar. Interesses políticos se sobrepondo à premência de ações necessárias podem significar a perda de vidas na área de saúde. Se o governador realmente levar a sério a decisão de estabelecer uma gestão puramente técnica à saúde pública do Acre terá grandes possibilidade de sair vencedor da contenda.
Positivo
O governador Gladson Cameli mostrou poder de decisão na polêmica da saúde. Ao contrário de outras situações, no começo do seu Governo, em que terceirizou as decisões. Se souber surfar na onda que provocou poderá chegar à praia de pé em cima da prancha sem levar nenhum “caixote”.
Cabra “esperto”
Foi só o Solidariedade defenestrar o deputado estadual Neném Almeida (SD) que o senador Sérgio Petecão (PSD) colou no “cara”. A matemática é óbvia. O PSD não tem nenhum representante na ALEAC. Neném poderá ser o deputado para o PSD “chamar de meu” no Legislativo Acreano.
Lua de mel
Petecão vive um bom momento na opinião pública acreana. Saiu vencedor da eleição ao Senado com um “banho de votos” e ainda não parou. No atual momento Petecão está acima da sua meta de ser 100% Popular.
Pode vir mais…
Além de um deputado estadual o PSD poderá ganhar mais dois prefeitos. Esperem o desdobramento do jogo de bastidores e depois me digam se tenho ou não razão. Petecão é daqueles que acredita que quanto mais cabritos mais alto ficará o seu berro partidário.
Paradoxo
Um partido se esforça para eleger os seus candidatos numa eleição. Depois por qualquer motivo “besta” já quer colocar o cidadão pra fora. Estou vendo isso acontecer tanto nos executivos municipais quanto no parlamento. Não tem lógica nenhuma. Ter prefeitos e deputados só fortalecem qualquer partido. Se o eleito não estiver tendo uma boa atuação é preciso chama-lo e conversar. Com diálogo fica fácil resolver qualquer questão. Já no grito é só perdas para todos.
Eleição animada
Todos os dias vejo surgirem novos candidatos à prefeitura de Rio Branco. Com calma pretendo fazer uma lista de todos os pretendentes. São tanto que não dá pra fazer de cabeça. Agora, essa enxurrada de candidatos a prefeito de Rio Branco mostra que os partidos não estão acreditando na reeleição da atual titular Socorro Neri (PSB).
Depois que o verão passar…
Para os atuais prefeitos acreanos que sonham com a reeleição a matemática é muito simples. Terminado o atual verão não haverá mais desculpas para ruas esburacadas. Agora, é hora de arregaçar as mangas e trabalhar. Quem fizer o dever de casa e melhorar as vias do seu município terá alguma chance. Caso contrário, pode ir arrumando as malas porque as disputas nas próximas eleições serão acirradas.

