Evitar que doenças e pragas agrícolas avancem sobre as plantações acreanas é o objetivo de uma série de ações de capacitação iniciadas nesta segunda-feira, 17, em Cruzeiro do Sul. A iniciativa reúne profissionais da área, pesquisadores, estudantes e produtores rurais em atividades voltadas ao reconhecimento de sinais, à prevenção e à resposta rápida a possíveis ocorrências no campo.
Promovida pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), a programação segue até sexta-feira, 21, no auditório da Universidade Federal do Acre (Ufac), e também contará com atividades práticas em propriedades rurais de Mâncio Lima e Rodrigues Alves.

A programação inclui a IV Caravana Educativa de Prevenção e Combate à Monilíase do Cacaueiro e do Cupuaçuzeiro e, pela primeira vez, uma caravana específica voltada à prevenção da vassoura-de-bruxa da mandioca.
A preocupação não é apenas com doenças já identificadas no estado. A vassoura-de-bruxa da mandioca, por exemplo, ainda não foi registrada no Acre, mas é considerada uma ameaça que exige monitoramento permanente para impedir uma eventual entrada e disseminação.

Durante as atividades, os participantes recebem orientações sobre identificação de sintomas, medidas de prevenção, vigilância das áreas produtivas e procedimentos que devem ser adotados diante de uma suspeita. A proposta é levar o conhecimento técnico para além das salas de aula e aproximá-lo da rotina dos agricultores.
A chefe do Departamento Tático de Ações Vegetal e Florestal do Idaf, Waldirene Gomes Cabral Maia, afirma que a participação dos produtores é fundamental para que eventuais ocorrências sejam percebidas ainda nos estágios iniciais.

“Estamos falando de doenças e pragas que podem causar impactos significativos na produção agrícola. Nosso objetivo é aproximar o conhecimento técnico dos produtores, fortalecer a prevenção e mostrar, de forma prática, como eles podem identificar possíveis sinais e agir rapidamente diante de uma suspeita”, destacou.
A monilíase do cacaueiro e do cupuaçuzeiro ganhou atenção das autoridades sanitárias do Acre após ser identificada no estado, em 2021. Desde então, o Idaf mantém ações de monitoramento e orientação com o objetivo de reduzir as possibilidades de disseminação.

Para o auditor fiscal federal da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac/PA), Paulo Albuquerque, a continuidade do trabalho é essencial para manter a doença sob controle.
Ele destacou que a defesa sanitária vegetal depende de vigilância constante e da participação direta de quem está no campo, principalmente na identificação de situações que possam representar risco às lavouras.
A capacitação também busca fortalecer a integração entre os órgãos de defesa agropecuária, profissionais que prestam assistência técnica e os próprios produtores. A ideia é criar uma rede capaz de identificar rapidamente alterações nas plantações e comunicar eventuais suspeitas às autoridades responsáveis.

O auditor fiscal federal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Glauco Teixeira, ressaltou que o diagnóstico correto e a adoção de medidas preventivas são etapas decisivas para evitar prejuízos.
Segundo ele, no caso da vassoura-de-bruxa da mandioca, a ausência de registros no Acre torna ainda mais importante a preparação de quem trabalha diretamente com as culturas agrícolas.
Além das capacitações, o Idaf desenvolve ações de monitoramento de áreas produtoras, distribuição de materiais informativos e orientação aos agricultores. A estratégia busca impedir que pragas cheguem ao estado e, caso sejam identificados sinais suspeitos, permitir uma resposta rápida.
Com a realização das caravanas, o órgão pretende ampliar a capacidade de prevenção no interior do Acre e transformar produtores e profissionais que atuam no campo em aliados permanentes da defesa sanitária vegetal.





