Rio Branco, AC, 14 de setembro de 2026 09:19
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Norte concentra municípios sob alerta máximo para incêndios florestais até novembro

A Região Norte concentra a maior quantidade de municípios brasileiros classificados no nível máximo de alerta para o risco de incêndios florestais até novembro, segundo projeções do governo federal. Mais de 500 municípios em todo o país estão sob “alerta alto” diante da combinação de estiagem prolongada, baixa umidade do ar e dos efeitos associados ao fenômeno El Niño.

Os maiores níveis de risco estão concentrados principalmente em áreas de Mato Grosso, no sul do Amazonas, no Pará e em regiões próximas.

Embora algumas áreas tenham registrado chuvas consideradas atípicas no início de setembro, os meteorologistas avaliam que essas precipitações, até o momento, não foram suficientes para modificar o cenário projetado para o restante do período seco.

Além dos municípios classificados no nível máximo de alerta, o governo federal aponta uma situação mais ampla de atenção. A categoria “Atenção” alcança 2.482 municípios brasileiros, mostrando que o risco de fogo permanece espalhado por diferentes regiões.

O destaque para o Norte ocorre em um momento de maior pressão sobre os sistemas de prevenção e combate aos incêndios florestais. A combinação de vegetação seca, baixa umidade e ausência ou irregularidade de chuvas favorece a propagação das chamas e aumenta a dificuldade de controle dos focos.

No Acre, que integra a Amazônia Legal, o período de estiagem mantém a necessidade de monitoramento permanente, principalmente em áreas rurais e de floresta.

A situação também chama atenção porque o fogo na Amazônia não se limita aos impactos ambientais. Incêndios podem provocar perda de vegetação, danos à fauna, degradação do solo e piora significativa da qualidade do ar, afetando diretamente as populações que vivem próximas às áreas atingidas.

Diante da previsão de agravamento das condições, o governo federal anunciou, no fim de julho, um pacote de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para ações de preparação e resposta aos efeitos do El Niño. Desse montante, R$ 337 milhões correspondem a crédito extraordinário destinado à fiscalização ambiental e à prevenção e ao combate aos incêndios.

Outros R$ 521 milhões do Fundo Amazônia foram direcionados à aquisição de equipamentos para os Corpos de Bombeiros de estados da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.

O período crítico também coloca à prova a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, criada pela Lei nº 14.944, de 2024. A legislação distribuiu responsabilidades entre União, estados, municípios, sociedade civil e setor privado e estabeleceu instrumentos voltados à prevenção e ao controle do fogo.

Um levantamento do Centro Brasil no Clima aponta, porém, que apenas quatro unidades da Federação possuem planos de manejo integrado do fogo formalmente aprovados. O diagnóstico também indica que somente oito estados contam com fundos climáticos estruturados.

A avaliação é que muitos estados ainda concentram esforços na resposta às emergências, enquanto medidas permanentes de prevenção continuam sendo um dos principais desafios para reduzir os impactos dos incêndios florestais.