A política acreana entra nesta terça-feira, 4, em mais um capítulo decisivo da corrida eleitoral de 2026. A convenção “Avança Acre”, marcada para as 17h, no Sesc Bosque, em Rio Branco, vai oficializar a candidatura da governadora Mailza Assis (Progressistas) ao Governo do Estado e confirmar a ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) como sua companheira de chapa.
Mais do que uma formalidade partidária, o encontro será uma demonstração de força do grupo que pretende permanecer no comando do Executivo estadual. A aliança reúne seis siglas e coloca no mesmo palanque nomes que ocupam posições de destaque na política acreana, em uma composição que também terá o ex-governador Gladson Cameli (Progressistas) e o senador Márcio Bittar (PL) como candidatos ao Senado.
A coligação é formada pela Federação União Progressista, integrada por Progressistas e União Brasil, além de MDB, PL, PDT e Democrata 35. A montagem do grupo amplia o arco de alianças em torno de Mailza e busca dar sustentação política à candidatura governista em uma eleição que tende a ser marcada pela disputa entre diferentes grupos pelo controle do Palácio Rio Branco
A convenção também deverá homologar as candidaturas proporcionais para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), completando a composição eleitoral da aliança.
Duas mulheres no comando da chapa
Um dos elementos que devem ganhar destaque no evento é a composição entre Mailza e Jéssica Sales. Pela primeira vez, uma chapa majoritária para o Governo do Acre terá duas mulheres ocupando as posições de candidata a governadora e vice-governadora.
A escolha de Jéssica, que já exerceu mandato de deputada federal, amplia a presença do MDB na aliança e reforça a composição política construída para a disputa estadual.
Para Mailza, o desafio agora é transformar a articulação partidária em uma candidatura competitiva e consolidar sua posição como sucessora do grupo que governa o Acre.
Em declaração divulgada pela organização do evento, a governadora destacou o tamanho da aliança e apresentou a união partidária como resultado de negociações políticas em torno de um projeto comum.
“Essa aliança de seis partidos não é fruto do acaso, mas do diálogo e do compromisso real com o futuro do nosso povo. O Acre precisa seguir avançando com estabilidade, trabalho duro e união. Temos um projeto sólido, construído por muitas mãos, com mulheres e homens preparados para garantir que o nosso estado continue crescendo no caminho certo”, afirmou.
Além da chapa para o governo, a convenção terá como um dos principais pontos de atenção a oficialização das candidaturas de Gladson Cameli e Márcio Bittar ao Senado.
A presença dos dois nomes amplia o peso político da aliança. Cameli, que comandou o Executivo estadual por dois mandatos, buscará retornar ao Senado, cargo que ocupou antes de assumir o governo. Bittar, por sua vez, tentará renovar o mandato conquistado nas eleições de 2018.
A composição transforma o evento em um dos principais atos políticos do calendário eleitoral deste ano e deverá reunir lideranças, prefeitos, vereadores, dirigentes partidários e pré-candidatos dos 22 municípios acreanos.
A expectativa dos organizadores é de uma grande mobilização de militantes e apoiadores. Na prática, a convenção também servirá para medir a capacidade de mobilização do grupo e projetar a força da aliança para o início da campanha.
A disputa pelo Palácio Rio Branco
A oficialização da chapa ocorre em meio a uma disputa que já apresenta diferentes nomes colocados no cenário eleitoral. Com Mailza confirmada pelo grupo governista, a corrida pelo Governo do Acre ganha contornos mais definidos e coloca frente a frente projetos políticos distintos.
A eleição também deve envolver o senador Alan Rick (Republicanos), que se apresenta como pré-candidato ao governo, e o ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom, que teve sua candidatura lançada pelo PSDB.
O cenário, portanto, reúne nomes com trajetórias distintas e amplia a disputa pelo eleitorado acreano. A formação das chapas, o desempenho dos candidatos nas pesquisas e a capacidade de cada grupo de construir alianças serão fatores determinantes ao longo da campanha.
De suplente a governadora
A trajetória política de Mailza começou na administração pública de Senador Guiomard, onde ocupou as secretarias de Administração e de Assistência Social. Posteriormente, chegou ao governo estadual como secretária de Assistência Social e Direitos Humanos.
Em 2014, foi eleita primeira suplente de senadora na chapa de Gladson Cameli. Em 2019, assumiu o mandato no Senado Federal, tornando-se a quarta mulher acreana a ocupar uma cadeira na Casa.
Durante sua passagem por Brasília, exerceu funções de liderança partidária e, segundo informações divulgadas por sua equipe, destinou mais de R$ 570 milhões em emendas parlamentares aos 22 municípios do Acre, com recursos para áreas como saúde, infraestrutura, educação, assistência social, produção rural e segurança pública.
A chegada ao comando do Executivo estadual ocorreu em abril deste ano, quando Mailza se tornou a segunda mulher a governar o Acre.
Agora, com a candidatura oficialmente lançada, ela terá pela frente o desafio de consolidar sua imagem como chefe do Executivo e, ao mesmo tempo, apresentar ao eleitorado um projeto próprio para a disputa de 2026.
A convenção desta terça-feira, nesse contexto, representa mais do que a homologação de candidaturas. É o primeiro grande teste público da aliança que pretende manter o grupo governista no poder e um dos momentos mais importantes da pré-campanha até aqui.





