As recentes mudanças promovidas pela governadora Mailza Assis na estrutura do Executivo estadual abriram uma nova frente de debates nos bastidores da política acreana. Embora aliados insistam em classificar as exonerações como ajustes administrativos, as movimentações evidenciam um momento de reorganização política em meio às articulações para as eleições de 2026.
O cenário ganhou novos contornos após o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP), afirmar, na última semana, que não há compromisso de apoiar uma eventual candidatura de Mailza à reeleição. A declaração contrariou a expectativa manifestada por um dos principais articuladores políticos da governadora, que havia sinalizado publicamente contar com o respaldo do prefeito, revelando divergências dentro do próprio campo governista.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa, deputados da base passaram a defender um alinhamento mais estreito com o Palácio Rio Branco. A intenção é reunir-se com a governadora para discutir os rumos da articulação política, fortalecer a unidade do grupo e evitar que as recentes mudanças administrativas alimentem interpretações de fragilidade ou instabilidade no governo.
Apesar da repercussão das exonerações, o titular da Secretaria de Estado de Governo (Segov), Luiz Calixto, rejeita qualquer leitura de crise. Para ele, as substituições fazem parte da dinâmica natural da administração pública e refletem a autonomia da chefe do Executivo para remodelar sua equipe sempre que considerar necessário.
“Cargos comissionados não possuem estabilidade. Quem ocupa uma função dessa natureza sabe que pode ser nomeado hoje e exonerado amanhã. A governadora apenas fez os ajustes que julgou necessários para adequar a gestão ao perfil que pretende imprimir ao governo”, afirmou.
Calixto também rebate avaliações de que as mudanças possam provocar desgaste na imagem da governadora. Segundo ele, alterações em equipes de governo são comuns em qualquer administração e não representam, por si sós, sinal de crise política.
Como exemplo, o secretário citou as sucessivas reformas ministeriais realizadas em governos federais recentes, lembrando que tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveram mudanças em seus ministérios ao longo dos respectivos mandatos, sem que isso fosse interpretado, necessariamente, como demonstração de descontrole administrativo.
Enquanto o governo trabalha para reforçar o discurso de normalidade, o desafio passa a ser político: preservar a coesão da base aliada em um momento em que as primeiras movimentações eleitorais começam a redefinir alianças e testar a fidelidade dos principais atores do grupo governista.





