Rio Branco, AC, 8 de novembro de 2026 09:19
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Dirigente progressista avalia as eleições, afirma que o partido é o principal aliado da governadora e garante que o Acre continuará avançando

Fundada em 4 de abril de 1966, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) foi um partido político de orientação predominantemente conservadora. Sua criação ocorreu em decorrência do Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, e do Ato Complementar nº 4, de 20 de novembro de 1965.

Ambos os atos foram editados pelo Regime Militar e extinguiram o pluripartidarismo vigente no país. Com isso, os 13 partidos políticos então legalizados foram dissolvidos e instituiu-se o bipartidarismo. À época, o Brasil e o mundo viviam sob a bipolarização geopolítica, em que as nações se alinhavam aos Estados Unidos ou à União Soviética.

Com a abertura política, em 1979, e o retorno do pluripartidarismo, o partido passou a se chamar PDS, depois PPR, PPB, PP e, atualmente, Progressistas. Ao longo dessas seis décadas, consolidou-se como uma das principais legendas do país, integrando o chamado “centrão”, bloco formado por dez partidos que reúne cerca de 280 parlamentares no Congresso Nacional.

Após ser elevado à categoria de ente autônomo, o Acre foi governado por essa agremiação até 1982. Apesar de alguns equívocos, é inegável a contribuição de seus gestores, especialmente na área da infraestrutura. Não por acaso, a integração terrestre, tanto nacional quanto estadual, avançou nos governos de Edmundo Pinto e Orleir Cameli. Soma-se a isso a Ponte do Abunã, inaugurada no primeiro mandato de Gladson Cameli.

Entre as principais realizações da legenda, destacam-se ainda a criação da Universidade Federal do Acre (Ufac), a introdução da pecuária no estado e a implantação dos Núcleos Rurais Integrados (Nari’s), nos governos de Jorge Kalume, Wanderley Dantas e Geraldo Mesquita, respectivamente.

A soma de diversos fatores, sobretudo a partir da ascensão de Gladson Cameli, fez do Progressistas o maior partido da história do Acre. Os números demonstram isso: a legenda administra 15 prefeituras, incluindo as principais cidades do estado; possui deputados estaduais e federais; preside a Assembleia Legislativa; provavelmente elegerá o presidente da Câmara Municipal de Rio Branco; elegeu 63 vereadores, conta com quatro vice-prefeitos e venceu a eleição para o governo com 66,21% dos votos, o maior percentual já registrado em uma disputa pelo Executivo estadual.

Para falar sobre essa trajetória, o momento atual e as estratégias para o futuro, a reportagem conversou, na sede do partido, com o vice-presidente regional, Lívio Veras, de 64 anos. Progressista praticamente desde o nascimento, ele é considerado um dos principais articuladores dessa nova fase da legenda. “Somos o principal aliado da governadora e o Acre vai continuar avançando.” Confira os principais trechos da entrevista:

Notícias da Hora – Qual é o balanço que o senhor faz das eleições?
Lívio Veras
– Positivo, com a letra “P” maiúscula, principalmente pelo resultado alcançado pela governadora e pela federação União Progressista. É a primeira vez que uma mulher é eleita para governar os destinos dos acreanos. Vivemos um momento ímpar, resultado do que vem sendo construído nas últimas eleições, especialmente nos últimos 20 anos. O Acre vai continuar avançando.

Notícias da Hora – Disseram que a então candidata Mailza Assis não tinha votos, principalmente porque nunca havia sido testada nas urnas. Depois veio essa votação histórica. Como o senhor avalia isso?
Lívio Veras
– A nossa convenção foi o ponto de partida para tudo o que aconteceu. Ela demonstrou a força do partido para buscar a reeleição da governadora. Inclusive, ela própria tinha algumas preocupações, mas acabou sendo positivamente surpreendida. Aquele ato histórico e contagiante reuniu mais de 15 mil pessoas. Mais do que os números, estavam presentes a alegria, a motivação e a esperança de ver o Acre continuar crescendo.

Notícias da Hora – Analistas políticos afirmam que nunca um candidato a vice-governador contribuiu tanto para uma eleição. O senhor concorda com essa avaliação?
Lívio Veras
– Sim, sem dúvida. O nosso slogan foi “Para o Acre Avançar”. É nisso que acreditamos e foi por essa razão que construímos alianças, inclusive com o MDB, da Jéssica Sales, que participou do nosso projeto e deu sua contribuição, especialmente no interior, como ocorreu no Vale do Juruá.

Notícias da Hora – O partido está participando das articulações para a escolha das mesas diretoras da Câmara de Rio Branco e da Assembleia Legislativa?
Lívio Veras
– Embora nossas coligações tenham a maioria dos parlamentares nessas duas Casas, é tradição o partido deixar que o governador, e agora a governadora, assim como o prefeito, conversem diretamente com eles. Elegemos cinco vereadores e cinco deputados estaduais. Sabemos da nossa força e de como conduziremos essas composições.

Notícias da Hora – O partido lançou uma revista alusiva aos seus 60 anos. Agora fala-se em registrar a história da legenda, com um recorte dos últimos 20 anos. Comente esse projeto.
Lívio Veras
– Estamos chamando esse momento de “novos tempos, novos rumos e novas lideranças”. Tudo começou em 2006, quando Gladson foi eleito deputado federal, vencendo uma disputa interna com nomes fortes e consolidados, como Ronivon Santiago. Na eleição seguinte, reelegeu-se e, depois, tornou-se o senador mais jovem da história. Ainda durante o mandato, candidatou-se ao governo e foi reeleito. A governadora Mailza e o prefeito Alysson também cresceram politicamente nesse período. Por isso, é importante registrar essa história, de 2006 a 2026, um ciclo que, além dos resultados partidários, apontou novos rumos para o Acre.

Notícias da Hora – O Progressistas está sempre crescendo. A que ou a quem o senhor atribui esse crescimento?
Lívio Veras
– Além de sermos um partido orgânico, nossos dirigentes e gestores sempre apostaram, como estratégia de fortalecimento e consolidação, na formação de novas lideranças. O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, os prefeitos de Xapuri e Porto Acre, Maxsuel Maia e Máximo Costa, respectivamente, além dos vereadores Aiache, Felipe Tchê e Samir Bestene, são exemplos dessa renovação. A capacidade de adaptação e a busca permanente por um Acre melhor sempre estiveram no centro da atuação do partido. Somos uma peça essencial no cenário político do estado, com um legado que permanece e ajuda a construir o futuro.

Notícias da Hora – O que é ser progressista?
Lívio Veras
– É ser um soldado de um projeto que busca eleger representantes para melhorar a vida da nossa gente. Muito do que o estado possui hoje é fruto do legado do nosso partido. A integração terrestre do Acre com o restante do país foi concluída no governo de Edmundo Pinto. Também concluímos a Ponte sobre o Rio Madeira no governo de Gladson Cameli. Como acreano, é uma honra e uma enorme alegria fazer parte deste partido.