A disputa pelo Governo do Acre entrou em uma nova fase. Pesquisa Delta/TVGazeta divulgada nesta quarta-feira, 26, mostra Alan Rick (Republicanos) ainda na liderança da corrida, mas com uma vantagem significativamente menor sobre Maílza Assis (Progressistas). O levantamento revela uma mudança importante na fotografia eleitoral: enquanto o candidato republicano perde terreno, a governista avança e já se aproxima do líder dentro da margem de erro no segundo turno.
Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Alan Rick aparece com 32,50% das intenções de voto, contra 29,32% de Maílza Assis. Tião Bocalom (PSDB) ocupa a terceira colocação, com 15,01%, seguido por Thor Dantas (PSB), com 3,38%.
Brancos e nulos representam cerca de 4%, enquanto 14,52% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Os números revelam uma disputa que, até pouco tempo atrás, apresentava uma distância mais confortável para Alan Rick. Agora, a diferença entre os dois primeiros colocados caiu para pouco mais de três pontos percentuais, o que coloca a eleição em um cenário de forte competitividade.
Mais do que a fotografia isolada, porém, é a trajetória dos candidatos que ajuda a explicar a mudança.
Alan cai; Maílza sobe
A série histórica apresentada pela TV Gazeta mostra uma inversão importante na dinâmica da eleição.
Alan Rick tinha 39,55% em junho. Em julho, apareceu com cerca de 38% e manteve praticamente o mesmo patamar na pesquisa de 11 de agosto. No levantamento divulgado agora, porém, caiu para 32,50%.
A queda entre 11 e 24 de agosto é expressiva e acende um sinal de alerta para a campanha republicana. O candidato ainda lidera, mas perdeu velocidade justamente no momento em que a disputa começa a se consolidar entre dois nomes.
Maílza Assis percorreu o caminho inverso. Em junho, tinha 19,40%. Em julho, ficou em 19,48%. Na pesquisa de 11 de agosto, avançou para 25,15% e agora chega a 29,32%.
Em pouco mais de dois meses, a governadora ampliou sua pontuação em quase dez pontos percentuais.
Essa evolução é um dos dados mais relevantes do levantamento porque mostra que o crescimento de Maílza não é apenas uma oscilação pontual. Há uma trajetória ascendente ao longo de diferentes rodadas da pesquisa.
Uma das explicações para o avanço de Maílza está na estrutura política que passou a cercar sua candidatura. A governadora reúne o apoio de uma ampla aliança partidária, com presença em diferentes regiões do Estado e forte representação na Assembleia Legislativa e na bancada federal.
Essa estrutura ganha ainda mais peso quando a campanha sai da fase inicial e entra no período de maior exposição eleitoral. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, lideranças comunitárias e estruturas partidárias passam a funcionar como multiplicadores de voto.
A escolha de Jéssica Sales para vice também pode ter ampliado o alcance da chapa, especialmente no Vale do Juruá, onde a ex-deputada possui forte inserção política. O reflexo aparece na leitura regional da pesquisa: o crescimento de Maílza é particularmente significativo no Juruá, ao mesmo tempo em que Alan perde espaço em determinados municípios.
A eleição, portanto, começa a apresentar uma característica clássica das disputas majoritárias: a força individual do candidato passa a ser combinada com a capacidade de mobilização da máquina política que o sustenta.
Tião Bocalom aparece em terceiro lugar, com 15,01%. O ex-prefeito de Rio Branco havia registrado 17,07% em junho, avançado para 19,28% em julho, mas despencado para 14,02% na pesquisa de 11 de agosto. Agora, apresenta uma pequena recuperação e chega a 15,01%.
O movimento, entretanto, ainda está longe de recolocar Bocalom no mesmo patamar dos dois primeiros colocados. Sua campanha enfrenta o desafio de romper uma distância superior a 14 pontos para Maílza e de mais de 17 pontos para Alan.
Ao mesmo tempo, sua presença pode ser decisiva para o resultado final. Bocalom concentra parte importante do eleitorado de direita e pode funcionar como um dos principais reservatórios de votos em uma eventual disputa de segundo turno.
Thor Dantas aparece com 3,38%, praticamente estável em relação aos levantamentos anteriores. Ele tinha 2% em junho, caiu para 1,79% em julho, subiu para 3,48% em 11 de agosto e agora aparece com 3,38%. O desempenho mostra que o candidato conseguiu estabelecer um patamar, mas ainda não encontrou força suficiente para romper a barreira dos 5%.
A campanha terá de ampliar o conhecimento do nome e transformar a exposição em intenção de voto, principalmente entre eleitores que ainda não escolheram candidato. Apesar da liderança de Alan Rick, a pesquisa apresenta um eleitorado ainda suficientemente grande para alterar o resultado.
Os 14,52% que não souberam ou não responderam representam uma parcela expressiva do eleitorado. Somados aos votos de candidatos que não chegam ao segundo turno, constituem um contingente que pode definir a eleição. Isso explica por que a disputa não pode ser analisada apenas pela diferença atual entre Alan e Maílza.
O líder possui vantagem, mas a governadora apresenta tendência de crescimento. Bocalom, por sua vez, mantém uma parcela relevante do eleitorado que poderá ser decisiva em uma eventual segunda etapa.





