Rio Branco, AC, 27 de agosto de 2026 20:27
Home / Política / Cameli ironiza Jorge Viana e diz que, para adversário, ‘Acre só existiu depois que ele assumiu e acabou quando deixou o poder

Cameli ironiza Jorge Viana e diz que, para adversário, ‘Acre só existiu depois que ele assumiu e acabou quando deixou o poder

O ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) elevou o tom contra o também ex-governador e adversário na disputa eleitoral Jorge Viana durante entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, nesta quinta-feira, 27.

Ao comentar declarações de Jorge Viana sobre os avanços econômicos e logísticos do Acre e a influência de políticas do governo federal, Gladson ironizou o que classificou como uma narrativa que coloca o ex-governador como protagonista absoluto da história recente do Estado.

“Jorge Viana salvou o Acre de tudo, só ele foi governador. A história parece do Acre que não existe. O Acre só existe depois que ele assumiu o governo e parece que acabou depois que ele deixou”, disparou.

A provocação ocorreu durante uma discussão sobre a dificuldade histórica do Acre em transformar projetos de industrialização em grandes investimentos privados. Gladson foi questionado sobre iniciativas adotadas durante sua gestão, entre elas a tentativa de reativar a Zona de Processamento e Exportação (ZPE), as viagens à China e as negociações para ampliar os mercados consumidores dos produtos acreanos.

O ex-governador reconheceu que nem todos os projetos saíram do papel, mas rejeitou a ideia de que sua estratégia econômica tenha fracassado. Para ele, os resultados devem ser avaliados principalmente pelo avanço das exportações.

“Quando eu fui para a China, quando eu estava governador, deu certo, sim. A nossa pauta era exportação”, afirmou.

Gladson citou a abertura do mercado peruano para a carne bovina produzida no Acre e o avanço das exportações de outros produtos, como frango e suínos. Também apontou a Dom Porquito como exemplo de empresa que conseguiu transformar a estratégia de inserção do Acre no mercado externo em negócio efetivo.

“Se você olhar, por exemplo, a Dom Porquito, ela está tendo um êxito enorme com a exportação, porque essa foi a nossa linha. Então, deu certo”, declarou.

“O Acre já começou”

Com discurso de defesa do legado de sua administração, Gladson afirmou que o Estado estaria diante de uma mudança estrutural na economia. Segundo ele, o papel do governo é criar condições para que empresários invistam, enquanto cabe à iniciativa privada assumir os riscos e colocar os projetos em funcionamento.

“O Estado, o governador, ele abre as portas para quem queira vir investir. Mas a iniciativa privada, quem vai investir, precisa querer também”, afirmou.

O candidato ao Senado disse acreditar que a localização estratégica do Acre, especialmente em relação aos mercados do Pacífico, tende a favorecer a instalação de indústrias e a expansão da produção nos próximos anos.

“O Acre já começou. Aqui vai ser a rota da industrialização, da geração de emprego e renda, porque o Pacífico está aí e as portas estão abertas”, afirmou.

Gladson também citou a expansão da produção de soja como um dos sinais dessa transformação. Segundo ele, produtores passaram a enxergar vantagens no Acre por causa da logística de escoamento da produção.

“A soja, que foi uma das bandeiras que nós defendemos muito, já está um sucesso. As pessoas já estão vindo para cá plantar soja”, disse.

Na avaliação do ex-governador, o movimento econômico já iniciado deverá continuar independentemente de quem vencer a eleição para o Governo do Acre. “Eu não tenho dúvida que, independentemente de quem seja o próximo governante, vai dar uma sequência, porque é tipo uma onda. Já começou a vir”, afirmou.