As investigações acerca da queda da ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou no começou de junho, em Sena Madureira, seguem em andamento pelo Ministério Público Estadual.
O promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva ampliou o foco da investigação e pretende reconstruir toda a trajetória da obra, desde os estudos realizados antes da contratação até o colapso da estrutura. Ele quer saber se o desabamento decorreu exclusivamente de um fenômeno natural ou se houve falha técnica, administrativa, ou de execução e fiscalização.
Em relação à hipótese de o desabamento ter sido causado pelo fenômeno terras caídas, o MPAC aponta que mesmo antes da contratação da obra já registravam intensa erosão e fragilidade geotécnica nas margens do Rio Iaco. Esse fator determinante pode não ter sido levado em consideração pela engenharia.

Júlio César pontua na portaria publicada recentemente que no projeto elaborado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) já mencionava uma “grande erosão no barranco do rio” e recomendava a implantação de sistema de drenagem, canaletas de concreto e outras intervenções destinadas à estabilização das margens.
Para o Ministério Público, os registros demonstram que o risco não era desconhecido. A investigação deverá esclarecer, portanto, se os estudos realizados foram suficientes e se as soluções de engenharia previstas e executadas eram adequadas para garantir a segurança da ponte diante de uma condição previamente identificada.
A investigação sustenta também que um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), já apontava para o desbarrancamento das margens do rio Iaco.
Diante disso, o Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público concluiu que qualquer reconstrução da ponte deverá ser precedida por estudos geológicos e geotécnicos específicos, afastando soluções consideradas apenas paliativas.





