A sequência de crimes violentos contra mulheres no Acre levou a deputada federal eleita Perpétua Almeida (PCdoB) a cobrar uma reação conjunta das instituições públicas. Em entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, nesta quinta-feira, 5, ela defendeu a convocação de uma reunião entre governo do Estado, bancada federal e estadual, Tribunal de Justiça, Ministério Público e forças policiais para discutir medidas capazes de enfrentar a violência de gênero e reduzir os casos de feminicídio.
Durante a conversa, Perpétua citou episódios recentes que, segundo ela, demonstram a gravidade da situação. Entre eles, o assassinato de uma médica em Brasiléia, que ganhou repercussão no estado, e outros dois casos de violência registrados em um intervalo inferior a dez dias. A parlamentar também mencionou uma mulher que teria sido espancada e violentada no dia da eleição e uma jovem de nove meses de gestação agredida pelo marido em Marechal Thaumaturgo.
“Até quando? Nós, como você mesmo disse, temos os piores índices. Estamos nas piores estatísticas da violência contra a mulher. É preciso tomar uma decisão de Estado”, afirmou.
A deputada eleita defendeu que a governadora Mailza Assis convoque uma reunião ampla para reunir representantes dos poderes e das instituições responsáveis pela segurança, proteção e garantia dos direitos das mulheres. Na avaliação dela, o enfrentamento à violência não pode ficar restrito a ações isoladas, mas precisa envolver planejamento, integração e compromissos concretos.
Perpétua também destacou a importância de medidas educativas, especialmente nas escolas, para estimular o respeito às mulheres e combater comportamentos violentos desde a formação das crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, defendeu o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção às vítimas e a revisão de procedimentos que, mesmo existentes, nem sempre conseguem impedir novos ataques.
A parlamentar questionou, por exemplo, a efetividade das medidas protetivas em casos nos quais o agressor utiliza tornozeleira eletrônica ou a vítima conta com dispositivos de alerta, como o botão do pânico. Ela citou situações recentes para levantar dúvidas sobre possíveis falhas na atuação das instituições e na aplicação dos instrumentos de proteção.
“Eu quero estudar a legislação sobre isso. Como é que é? O botão do pânico não funcionou? O cara está com tornozeleira, mas, mesmo assim, ele cometeu um assassinato? Então, tem alguma coisa errada em tudo aí”, declarou.
Perpétua ressaltou que a responsabilidade pelo enfrentamento da violência contra a mulher é compartilhada entre o poder público e a sociedade. Ela citou o papel do Judiciário, do Ministério Público, das polícias e do Legislativo na construção de respostas, incluindo a possibilidade de mudanças na legislação para ampliar a proteção e evitar que mulheres que já denunciaram ameaças continuem expostas aos agressores.
Ao defender uma mobilização institucional, a deputada afirmou que o Acre precisa transformar a preocupação com os números da violência em medidas efetivas. “Não dá para aceitar esses números, tem que resolver”.





