Rio Branco, AC,20 de junho de 2026 13:31
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Novo piso nacional: professores ganham reajuste de 5,4%; municípios do Acre terão de reorganizar orçamento

O governo federal sancionou nova lei que atualiza o piso salarial nacional dos professores da educação básica, fixando o valor mínimo da categoria em R$ 5.130,63 para 2026. O reajuste de 5,4% representa um ganho real acima da inflação e traz reflexos diretos para estados e municípios, incluindo o Acre, onde a maior parte da rede pública de ensino é mantida pelas prefeituras.

A medida estabelece novas regras para a atualização anual do piso salarial profissional nacional do magistério, garantindo que os reajustes não sejam inferiores à inflação acumulada no período anterior. A legislação também determina maior transparência no cálculo dos reajustes, com a divulgação da memória de cálculo pelo Ministério da Educação (MEC).

Outra mudança considerada significativa é a inclusão dos professores contratados por tempo determinado entre os beneficiários do piso nacional, assegurando a esses profissionais os mesmos direitos já garantidos aos demais trabalhadores do magistério público da educação básica.

No Acre, a nova regra deve gerar impactos nos orçamentos municipais, especialmente em cidades de menor porte, que já enfrentam dificuldades para equilibrar despesas com pessoal e investimentos em áreas essenciais. A preocupação é compartilhada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que estima um impacto de aproximadamente R$ 8 bilhões nos cofres municipais brasileiros apenas em 2026.

Segundo a entidade, o novo modelo de cálculo considera a soma da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 50% da média do crescimento real das receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) nos cinco anos anteriores. Pela regra anterior, o reajuste previsto para 2026 seria de apenas 0,37%.

A CNM também alerta que a mudança poderá aumentar a pressão financeira sobre os municípios nos próximos anos, uma vez que o novo mecanismo garante correções acima da inflação sem a previsão de recursos adicionais da União para compensar os gastos extras.

Nos últimos cinco anos, o piso nacional do magistério acumulou reajuste de 78%, gerando um impacto estimado em R$ 85 bilhões para os municípios brasileiros. No Acre, gestores municipais acompanham com atenção os desdobramentos da nova legislação, que deverá influenciar diretamente o planejamento orçamentário das prefeituras e as negociações com as categorias da educação nos próximos anos.