O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, afirmou nesta quarta-feira, 2, que o principal problema da administração estadual nos últimos oito anos não seria apenas a falta de recursos, mas a dificuldade do governo em planejar e executar políticas públicas. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 2, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.
Questionado sobre como pretende transformar em ações concretas as propostas apresentadas em seu plano de governo e quais seriam as prioridades dos primeiros 100 dias de uma eventual gestão, Thor afirmou que sua estratégia começaria pela recuperação da capacidade administrativa do Estado.
Segundo ele, o plano de governo reúne 16 áreas, organizadas em cinco grandes eixos: saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, segurança e educação. O candidato argumentou, porém, que o primeiro passo para executar essas propostas seria reorganizar a própria estrutura de planejamento do governo.
“O Estado do Acre, hoje, tem como seu principal problema a incapacidade do governo de, nos últimos oito anos, planejar e executar políticas públicas. Esse é o nosso diagnóstico”, afirmou.
“Pouco que sobra” precisa virar obra e serviço
Thor sustentou que a capacidade de investimento do Acre é limitada pela estrutura das despesas obrigatórias, como folha de pagamento, previdência e pagamento de juros. Na avaliação dele, justamente por isso, os recursos que permanecem disponíveis para investimentos precisam ser executados com maior eficiência.
O candidato afirmou que, de cada R$ 100 disponíveis, atualmente apenas cerca de R$ 33 conseguiriam ser transformados em projetos, segundo os números apresentados por ele durante a entrevista.
“Um Estado que recupera de 30% para 70%, 75% a capacidade de investimento é um Estado que vai conseguir transformar o que está ali em projeto, ideia em projeto e projeto em execução”, disse.
A declaração representa uma das principais críticas de Thor à gestão estadual: para ele, aumentar a capacidade de investimento não depende exclusivamente de conseguir mais dinheiro, mas de melhorar a capacidade técnica e administrativa para transformar recursos em obras e políticas públicas.
Banco de projetos seria uma das primeiras medidas
Entre as propostas apresentadas pelo candidato está a criação de um banco de projetos. A ideia é manter projetos de obras e intervenções previamente elaborados, permitindo que o governo possa apresentá-los imediatamente quando surgirem linhas de financiamento ou oportunidades de captação de recursos.
Thor usou como exemplo a possibilidade de obtenção de financiamento para recuperação de estradas e ramais.
Segundo ele, se o governo só começar a elaborar um projeto depois que o dinheiro estiver disponível, poderá perder a oportunidade por falta de documentação e planejamento.
“Chegou agora um financiamento para estradas e ramais. Se o governo for ter que elaborar projetos nessa hora, ele não vai ter tempo para isso, ele vai perder”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a ausência de uma estrutura permanente dedicada à elaboração de projetos faz com que o Acre perca oportunidades de investimento.
Crítica à falta de articulação política
Além da questão técnica, Thor apontou o que considera um problema de liderança política. Para o candidato, o Estado também precisa recuperar a capacidade de articulação entre os diferentes poderes e instituições para buscar recursos além do orçamento estadual.
Ele defendeu uma atuação conjunta com a bancada federal do Acre para a elaboração de projetos estruturantes, em vez de uma distribuição fragmentada de emendas parlamentares.
“Resgatar a capacidade do Estado de liderar esse processo é o que a gente precisa para que a gente transforme o nosso plano em execução para a população”, afirmou.
Thor criticou ainda o modelo em que parlamentares atuam individualmente na destinação de emendas, sem necessariamente construir uma estratégia integrada para o desenvolvimento do Estado.
“Cada um pensando na sua emenda, no seu recurso, sem pensar o Acre como um todo”, disse.
Planejamento como ponto de partida
A proposta apresentada pelo candidato coloca o planejamento como uma espécie de eixo transversal para as demais áreas do plano de governo. Na visão de Thor, não adianta ampliar promessas de investimentos em saúde, educação, infraestrutura ou segurança se o Estado não tiver capacidade para elaborar projetos, captar recursos e executar aquilo que foi planejado.
A estratégia defendida por ele combina, portanto, duas frentes: melhorar a utilização dos recursos que o Acre já possui e ampliar a capacidade de captação de investimentos externos.
A promessa de elevar a capacidade de investimento de aproximadamente 30% para uma faixa entre 70% e 75%, no entanto, exigiria mudanças administrativas significativas e dependeria de condições orçamentárias, fiscais e de execução que ainda não foram detalhadas pelo candidato durante a sabatina.
Thor também não apresentou, no trecho da entrevista, um cronograma detalhado para alcançar esse percentual nem especificou quais estruturas do governo seriam imediatamente modificadas.
Ao atribuir ao governo dos últimos oito anos uma suposta perda da cultura de planejamento, Thor faz uma crítica direta à condução administrativa recente do Acre. Para o candidato, o problema estaria na distância entre o dinheiro disponível, os projetos elaborados e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra ou serviço.





