O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, elevou o tom das críticas à condução das políticas públicas no Estado durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, nesta quarta-feira, 2. Em uma sabatina com candidatos ao governo, Thor afirmou que o Acre corre o risco de não aproveitar uma possível nova fase de desenvolvimento econômico caso problemas históricos de infraestrutura e serviços públicos continuem sem solução.
Para o candidato, o Acre de hoje apresenta uma realidade econômica diferente da de décadas passadas e pode estar diante de uma oportunidade de expansão comercial com a aproximação dos mercados do Pacífico. Mas, segundo ele, a atual estrutura do Estado ainda não oferece as condições necessárias para sustentar esse crescimento.
Thor apontou estradas, ramais, conectividade, saúde, educação e segurança pública como áreas que exigem respostas mais efetivas do poder público. “Se a gente fizer o dever de casa, a gente tem oportunidade de ouro pelos próximos anos”, afirmou.
A infraestrutura foi apresentada por Thor como um dos principais pontos de cobrança à administração pública. O candidato afirmou que não é possível falar em desenvolvimento econômico enquanto produtores e moradores continuam enfrentando dificuldades para se deslocar dentro do próprio Estado.
A precariedade dos ramais, segundo ele, não representa apenas um problema para o escoamento da produção. O impacto também chega aos serviços públicos, principalmente à saúde.
Thor citou como exemplo moradores da zona rural que precisam deixar suas comunidades para procurar atendimento médico nos centros urbanos. Na avaliação do candidato, a infraestrutura precisa ser tratada como uma política estratégica de Estado, e não apenas como manutenção pontual de estradas.
Ele também defendeu a expansão da internet de alta velocidade para os municípios e comunidades acreanas. Para Thor, a conectividade passou a ter importância semelhante à das rodovias e dos ramais. “A conexão com a internet é um elemento da infraestrutura tão importante hoje em dia quanto o ramal”, disse.
Candidato vê risco de Acre continuar vendendo matéria-prima sem agregar valor
Thor também direcionou críticas ao modelo de desenvolvimento econômico do Estado. Para ele, o Acre precisa avançar da produção primária para uma economia capaz de industrializar e agregar valor aos produtos locais.
A crítica atinge diretamente a capacidade do poder público de criar condições para que a produção acreana gere mais emprego e renda dentro do próprio Estado. “O Acre precisa industrializar a sua base produtiva para que ele possa agregar valor e crescer economicamente”, afirmou.
Na avaliação do candidato, uma eventual consolidação das rotas comerciais em direção ao Pacífico poderá representar uma oportunidade histórica. No entanto, sem infraestrutura e capacidade industrial, o Estado corre o risco de apenas produzir matéria-prima e deixar outras regiões capturarem a maior parte do valor gerado.
Thor comparou a possibilidade de integração com o mercado do Pacífico com ciclos econômicos anteriores e afirmou que a oportunidade atual pode ser maior do que as experiências econômicas vividas pelo Acre no passado.
Na saúde, o candidato foi mais incisivo. Thor utilizou sua experiência como médico para questionar a capacidade do sistema público de atender demandas básicas da população.
Ele destacou que, enquanto o Acre possui estrutura para realizar procedimentos de alta complexidade, como transplante de fígado, pacientes ainda enfrentam dificuldades para conseguir cirurgias consideradas de menor complexidade.
“Enquanto eu estou na Fundação Hospitalar fazendo transplante de fígado, que é uma coisa extremamente complexa, as pessoas não conseguem operar uma hérnia e não conseguem operar uma vesícula”, afirmou.
Thor também citou a dificuldade de acesso a consultas especializadas, mencionando cardiologistas, reumatologistas e oftalmologistas.
A crítica coloca em evidência um dos principais problemas enfrentados pela população: não apenas a existência de serviços especializados, mas a capacidade de o sistema garantir acesso em tempo adequado.
Segundo o candidato, a saúde continua sendo identificada pela população como uma das principais — se não a principal — preocupação do Estado.
Thor também criticou os resultados educacionais do Acre e afirmou que o desempenho da rede de ensino pode comprometer justamente a formação profissional necessária para sustentar o crescimento econômico que ele defende.
O candidato cobrou investimentos em escolas de tempo integral e melhoria dos indicadores de aprendizagem, especialmente em matemática e língua portuguesa. “Isso é inadmissível se a gente quiser fazer a transformação econômica e social que a gente precisa fazer”, afirmou.
Na segurança pública, Thor classificou o problema como complexo e criticou o que considera pouca disposição dos candidatos para enfrentar o tema de maneira mais ampla. Ele afirmou que o Acre não está isolado do avanço das organizações criminosas observado no país e defendeu uma atuação capaz de considerar a dimensão nacional do problema.
Ao longo da entrevista, Thor construiu sua principal crítica em torno de uma ideia: o Acre pode estar diante de uma oportunidade econômica relevante, mas ainda não teria resolvido problemas básicos que impedem o Estado de aproveitar esse cenário.
A cobrança recai sobre áreas que estão sob responsabilidade direta ou indireta do poder público: infraestrutura, saúde, educação, segurança e políticas de desenvolvimento econômico.
Para o candidato do PSB, a discussão eleitoral não deveria se limitar à promessa de novas obras ou à abertura de mercados. O desafio, segundo ele, é preparar o Estado para que o eventual crescimento econômico resulte em emprego, renda e melhoria dos serviços públicos.
A proposta de Thor passa, portanto, por uma mudança no modelo de desenvolvimento: melhorar a infraestrutura, industrializar a produção, qualificar a mão de obra e ampliar a capacidade do Estado de oferecer serviços básicos.
Sem esse “dever de casa”, afirmou o candidato, a tão anunciada conexão do Acre com os mercados do Pacífico pode representar mais uma oportunidade perdida do que um novo ciclo de desenvolvimento.





