Rio Branco, AC, 3 de novembro de 2026 09:42
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Prefeituras do Acre podem ser afetadas por bloqueio de R$ 2,5 bilhões em recursos federais destinados aos municípios

Os municípios acreanos podem enfrentar dificuldades para manter obras, investimentos e serviços públicos diante do bloqueio de R$ 2,5 bilhões em recursos federais destinados às prefeituras de todo o país. O alerta consta em um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), que identificou a retenção de 6,8% das dotações discricionárias previstas para 2026.

Embora o dado não apresente um detalhamento específico dos valores destinados às prefeituras do Acre, a restrição orçamentária pode atingir diretamente a capacidade de investimento das administrações municipais, especialmente em áreas que dependem de transferências da União, como saúde, educação, infraestrutura e mobilidade urbana.

Dos R$ 2,5 bilhões contingenciados ou bloqueados, R$ 1,28 bilhão, equivalente a 51% do total, está temporariamente contingenciado para ajudar no cumprimento da meta fiscal do governo federal. Outros R$ 1,22 bilhão, correspondentes a 49%, foram bloqueados e permanecem reservados para eventual cancelamento.

A área mais afetada é o Ministério da Saúde, com R$ 713,6 milhões retidos, o equivalente a 28,6% do montante. Em seguida aparece o Ministério das Cidades, com R$ 595,9 milhões, representando 23,9%. Juntos, os dois ministérios concentram mais da metade dos recursos suspensos.

Na Saúde, o principal impacto recai sobre a estruturação de unidades de Atenção Especializada, que teve R$ 488,1 milhões atingidos. Já no Ministério das Cidades, ações de apoio a projetos de reabilitação, acessibilidade e modernização de áreas urbanas sofreram uma suspensão de 96,3% da dotação, totalizando R$ 309,8 milhões.

A educação também está entre os setores prejudicados. O Ministério da Educação teve R$ 424,9 milhões atingidos, valor equivalente a 73,2% dos recursos autorizados para o programa Caminho da Escola, destinado à aquisição de veículos para o transporte de estudantes.

Outras áreas também registraram restrições. Os ministérios do Turismo e da Integração e do Desenvolvimento Regional tiveram, respectivamente, R$ 224,9 milhões e R$ 214,5 milhões bloqueados integralmente.

Para as prefeituras, a preocupação envolve a possibilidade de atrasos em obras, redução da capacidade de investimento e dificuldades na execução de projetos que dependem de recursos federais. Em municípios menores, onde a arrecadação própria costuma ser mais limitada, a dependência das transferências da União torna qualquer restrição orçamentária ainda mais preocupante.

A CNM alerta que o congelamento das verbas pode obrigar os gestores municipais a recorrerem a recursos próprios para evitar a paralisação de obras e a interrupção de serviços públicos. Essa medida, no entanto, compromete o planejamento financeiro e reduz a margem disponível para novos investimentos.

Outro risco apontado pela entidade é o atraso nas medições de obras financiadas pelo governo federal. A demora na liberação dos pagamentos pode provocar a paralisação de intervenções, além de levar empresas contratadas a solicitar reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.