Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela falhas na destinação de uma emenda de R$ 17,4 milhões do deputado federal, Eduardo Velloso (UB), à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, que tem à frente o prefeito Zequinha Lima (PP). O dinheiro foi destinado para atendimento a autistas e projetos da sociedade civil.
De acordo com o jornal O Globo, em reportagem assinada pelo jornalista Patrik Camporez e publicada hoje (30), a auditoria do TCU concluiu que parte dos recursos perdeu a rastreabilidade a partir do uso de uma “conta de passagem”, mas também aponta indícios de fraude à licitação, contratação de empresa declarada inidônea, restrição à competitividade do certame, publicidade inadequada da contratação, sobrepreço contratual e indícios de inexecução total ou parcial do objeto.
O jornal carioca diz ainda que diante da gravidade dos achados, o TCU determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial (TCE), por entender que as irregularidades estavam suficientemente demonstradas e que o prejuízo ao erário havia sido quantificado.
A assessoria de Velloso diz que o parlamentar “tem conhecimento do relatório e acompanha com respeito e confiança o trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Contas da União”. O parlamentar destaca, ainda, que o valor auditado foi uma parcela de R$ 1 milhão enviado ao município de Cruzeiro do Sul, mas alega que, quanto aos apontamentos do relatório, “a atuação do parlamentar restringe-se à indicação da destinação orçamentária da emenda, não lhe cabendo ingerência sobre os atos administrativos praticados pelo gestor responsável pela execução.”
O caso amplia a lista de investigações envolvendo recursos indicados por Eduardo Velloso.
Em janeiro, O GLOBO revelou que uma emenda de autoria do deputado, originalmente destinada à realização de eventos culturais em Sena Madureira (AC), acabou beneficiando um hospital pertencente a seu pai, após a prefeitura redirecionar parte dos recursos à unidade de saúde.
Uma auditoria da CGU apontou que o hospital passou a receber recursos públicos para cirurgias cobradas muito acima dos parâmetros oficiais.
Na mesma época, o parlamentar também foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades na contratação de uma empresa de shows com recursos de emendas Pix em Sena Madureira.
À época, Velloso afirmou, por meio de sua assessoria, que o direcionamento dos recursos ao hospital era de responsabilidade exclusiva da prefeitura e negou qualquer ingerência sobre a execução da emenda.





