“Tudo agora gira em torno de mesa”, disparou o vereador Aiache (PP) ao criticar o peso das articulações pela nova Mesa Diretora da Câmara de Rio Branco. A declaração expôs divergências no Legislativo nesta terça-feira, 27, quando o presidente Joabe Lira (UB) rebateu as críticas e afirmou que a sessão não começou porque não havia vereadores suficientes para formar quórum.
O embate ocorreu em meio à insatisfação de vereadores com a sessão que não chegou a ser iniciada por falta de quórum. Aiache acusou a Presidência de deixar de priorizar as demandas da população e de permitir que a disputa por cargos se sobreponha às atividades parlamentares. Para ele, a eleição da nova direção da Câmara não pode ser o único assunto em discussão no Legislativo.
“Eu acho que tudo aqui agora só gira em mesa. Mesa, mesa, mesa. Aqui não é só mesa, não. Aqui tem muita coisa para a gente conversar, tem muitas pautas, muitos projetos de lei”, disparou Aiache.
O vereador afirmou que pretendia apresentar dois projetos de lei e também cobrou o andamento de matérias pendentes, incluindo dois vetos relacionados ao Plano Diretor de Rio Branco. Na avaliação dele, a falta de deliberação prejudica o trabalho dos parlamentares e impede o avanço de propostas de interesse coletivo.
“Isso é um absurdo. Não é contra mim, não, é contra a população do nosso município”, declarou.
Apesar das críticas à condução dos trabalhos, Aiache também entrou diretamente no debate sobre a composição da próxima Mesa Diretora. Ao ser questionado se o Progressistas estaria mobilizado para disputar o comando da Câmara, o parlamentar afirmou que considera legítimo o partido reivindicar espaço na direção da Casa, especialmente por integrar o grupo político do prefeito e contar com uma bancada expressiva.
“Eu acho que sim, tem que sair de dentro do Progressista, até porque o prefeito é progressista. A maior bancada que tem na Câmara é progressista. Eu acho que sim, tem que sair”, afirmou.
Aiache, no entanto, ressaltou que não colocou o próprio nome na disputa e criticou o que classificou como uma antecipação excessiva das discussões sobre a eleição interna. Para ele, a prioridade deveria ser o enfrentamento dos problemas da cidade e a votação das matérias represadas.
“Eu nem botei meu nome para a Mesa. Para mim, a Mesa é outra discussão. A gente primeiro tem que discutir os problemas que estão na nossa população, os projetos de lei que estão aqui, as pautas trancadas e o fato de não ter sessão”, acrescentou.
Joabe nega influência da disputa pela Mesa
Questionado sobre as críticas e sobre possíveis articulações políticas envolvendo a eleição da nova direção da Câmara, Joabe Lira negou que a sessão não tenha sido iniciada por causa das negociações. O presidente afirmou que a decisão ocorreu exclusivamente pela falta de quórum e que a Presidência respeitou os procedimentos previstos no regimento interno.
Segundo Joabe, os vereadores começaram a chegar à Casa às 8h, e a Presidência aguardou a presença dos parlamentares para iniciar os trabalhos. Às 9h18, entretanto, havia apenas sete vereadores no plenário, número insuficiente para a abertura da sessão.
“Nós temos compromisso com a população de trabalhar. Nós estávamos aqui às 8 horas e alguns vereadores já tinham chegado. Às 8h30, nós esperamos, fizemos o chamamento dos vereadores que estavam aqui na Casa para que pudessem ir ao plenário”, explicou.
O presidente acrescentou que a espera foi mantida até o limite que considerou razoável, mas não havia condições regimentais para dar início à sessão.
“Às 9h18, tinha sete vereadores. Nós cumprimos o regimento interno e encerramos a sessão, infelizmente. Nós estamos aqui todos os dias de sessão, no horário. Temos regimento interno e aguardamos. Não temos como esperar além do limite tolerável”, declarou.
Joabe também afirmou que não está concentrando suas atenções na disputa pela próxima Mesa Diretora. Segundo ele, o processo deverá ser discutido com os demais parlamentares, que terão a responsabilidade de escolher a composição que considerarem mais adequada para representar o Legislativo municipal.
“A nova Mesa vai ser discutida com todos os vereadores e que se escolha aquele que acham que vai representar a Câmara da melhor forma possível”, afirmou.
Ao defender sua atuação à frente da Casa, o presidente citou a conclusão da nova sede da Câmara, prevista por ele para o mês seguinte, a realização de concurso público e ações voltadas à valorização dos servidores. Joabe disse que pretende concluir o biênio à frente da Presidência deixando resultados administrativos.
“Eu estou tranquilo porque estou deixando a minha contribuição como presidente. Estou preocupado em fazer meu trabalho como presidente, concluir agora, no final do ano, nosso biênio e também meu mandato como vereador”, declarou.
Além da disputa pela Mesa Diretora, Aiache também demonstrou preocupação com a demora na liberação de emendas parlamentares destinadas a instituições. O vereador afirmou que participaria de reuniões com o vereador Fábio Araújo e representantes das áreas de planejamento e orçamento para buscar explicações sobre a situação.
“As instituições contam com esse recurso. As instituições precisam desse recurso, e isso tem que ser liberado, sim”, disse.
O parlamentar afirmou que, em anos anteriores, os repasses costumavam ocorrer a partir de abril e demonstrou preocupação com a chegada do fim de outubro sem a solução do impasse. Segundo ele, é necessário cobrar os responsáveis e buscar uma definição para que as entidades possam contar com os valores previstos.





