A campanha eleitoral de 2026 mal começou e já deixou uma lição que deveria ser obrigatória para todos os partidos políticos do Acre: não existe evento político bem-sucedido quando a imprensa é tratada como obstáculo.
A convenção realizada na última terça-feira, 4, no ginásio do Sesc Bosque, não será lembrada apenas pela homologação das candidaturas. Nos bastidores, o que chamou a atenção foi o tratamento dispensado aos profissionais de imprensa, empurrados para um canto, espremidos entre cabos, câmeras, celulares, assessores e seguranças, enquanto tentavam fazer aquilo que sempre fizeram: trabalhar.
É importante fazer uma ponderação. A crítica não se dirige aos jornalistas que integram a estrutura de comunicação do governo ou da campanha. Muitos deles são colegas de profissão, conhecem a rotina das redações e, certamente, também enfrentaram dificuldades naquele ambiente. A responsabilidade, ao que tudo indica, esteve na condução da produtora contratada e da equipe de marketing, que parece ter confundido organização com restrição ao livre exercício do trabalho da imprensa.
Quem conhece a cobertura política sabe que uma convenção é uma verdadeira corrida contra o relógio. Repórteres, cinegrafistas e fotógrafos chegam cedo, enfrentam calor, aglomeração e horas em pé para conseguir uma boa imagem, uma entrevista exclusiva ou, simplesmente, uma declaração que permita fechar a matéria dentro do prazo.
Nesse cenário, qualquer barreira artificial criada por quem organiza o evento representa um ataque indireto ao direito da população de ser informada.
Os relatos feitos por jornalistas que estavam presentes impressionam. Um integrante da produção — apelidado por mim de “William Wallace”, em referência ao personagem de Coração Valente — teria protagonizado episódios de autoritarismo na tentativa de controlar o acesso da imprensa aos candidatos. Ironia das ironias: o verdadeiro William Wallace entrou para a história lutando pela liberdade. Seu xará dos bastidores, segundo os relatos, parece ter escolhido lutar justamente contra ela.
O episódio serve de alerta para todos os partidos, e não apenas para aqueles que disputam a reeleição. Marketing político é importante. Organização de eventos também. Mas nenhuma estratégia de comunicação pode ser construída atropelando justamente aqueles que têm a missão constitucional de informar a sociedade.
Marqueteiros passam. Produtoras são substituídas. Campanhas terminam. A imprensa permanece.
E permanece porque representa o chamado quarto poder, fiscalizando governos, cobrindo eleições, registrando promessas e cobrando resultados. É essa independência que incomoda alguns, mas é ela que sustenta a democracia.
Fica uma sugestão simples aos partidos políticos do Acre: antes de contratar grandes estruturas, telões e equipes que se comportam como donas do evento, conversem com seus marqueteiros e produtoras. Expliquem que jornalistas não são figurantes de campanha, tampouco adversários a serem contidos. São profissionais que precisam de acesso, respeito e condições mínimas para exercer seu trabalho.
Quem compreende isso fortalece a democracia. Quem não compreende corre o risco de transformar um evento político em um símbolo de desrespeito à liberdade de imprensa.





