Rio Branco, AC, 18 de setembro de 2026 13:33
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Quem reclama já perdeu: uma reflexão sobre a campanha eleitoral do Acre

No começo dos anos 2000 eu trabalhei como redator numa campanha política em Brasília com um marqueteiro chamado Fernando Pacheco. Um verdadeiro mestre da comunicação eleitoral. Ele sempre repetia quando a gente estava preparando as peças para os programas gratuitos de rádio e TV: ” concentrem-se nas propostas do candidato, não caiam na tentação de bater nos adversários porque quem reclama já perdeu”.

Essa máxima do Fernando Pacheco parece que caiu no esquecimento dos marqueteiros atuais. Mais ainda no Acre, em que acompanho as eleições desde 2006, e a regra é exatamente o contrário, quanto mais bater no adversário melhor. Só que não.

Uma vez em Cruzeiro do Sul durante uma campanha uma pessoa muito humilde falou pra mim: “eu não gosto do candidato X porque ele só fala do alheio”. É exatamente isso. Quem tem proposta não precisa falar do “alheio”. Mostra qual é a sua proposta de gestão e deixa os eleitores fazerem o julgamento.

Isso lembra ainda uma frase do Osho, um mestre indiano, que dizia: ” o outro não existe”. Aparentemente pode parecer uma ponderação egoísta, mas não é. O mundo, a existência, começa em cada um de nós. A gente mostra o que temos para apresentar e se não agradar não é problema nosso, mas do outro que não compreendeu ou não quer compreender.

A maledicência é a opção para quem não tem o que mostrar para os “outros”. Quem tem não vai perder tempo falando do “alheio”.

Portanto, acredito que campanhas propositivas são muito mais eficientes do que as agressivas. Tem um ditado popular que afirma: ” quando apontamos o dedo para o outro temos quatro apontados para nós mesmos”. Tão simples como isso, como diz meu compadre, o compositor e escritor Márcio Borges.

Aliás, foi com o Márcio Borges e o Fernando Pacheco que aprendi um pouco sobre marketing político. Eles eram da linha da emoção. Procuravam humanizar os candidatos e colocavam um forte tempero emocional nas propagandas para quem trabalhavam. Aproveitavam o espaço na mídia para ampliar o debate sobre os problemas sociais e não para destruir as “reputações alheias”.

Num primeiro momento pode parecer que a “pancadaria” funciona. Só que essa agressividade cai rapidamente no esquecimento pelos eleitores. Em contrapartida as propostas ficam e criam esperança para pessoas comuns que precisam do poder público para tocarem a vida em frente.

E todos precisamos do poder público de alguma maneira. As políticas de saúde, de segurança pública, de geração de empregos e renda, de educação e de infraestrutura dizem respeito a todos que vivem no estado. Enquanto os discursos sobre o “alheio” apenas refletem contendas que envolvem as vaidades e os egos dos candidatos.

O Acre tem muitos problemas sociais e o período eleitoral é justamente o momento adequado para o debate de soluções que impactarão a vida de todos. Perder tempo atacando é simplesmente uma falta de propostas. Como diria João Saldanha, “vida que segue” e cada um que escolha o caminho que deseja seguir. Mas a imutável lei das consequências é que vai determinar o destino do caminho que escolhermos.