Rio Branco, AC, 26 de agosto de 2026 15:03
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Pesquisa Delta/TV Gazeta: Bittar lidera corrida ao Senado, Gladson é segundo e Mara Rocha encosta em Jorge Viana pelo terceiro lugar

A corrida por duas vagas ao Senado pelo Acre aparece cada vez mais embaralhada na pesquisa Delta, divulgada nesta quarta-feira, 26, pela TV Gazeta. Os números mostram uma disputa marcada por três movimentos principais: a liderança de Márcio Bittar, o crescimento de Mara Rocha em um cenário sem Gladson Cameli e a dificuldade de Jorge Viana e Sérgio Petecão em transformar seus índices de intenção de voto em uma vantagem mais confortável.

No cenário em que Gladson Cameli aparece como candidato, Bittar lidera com 18,84%, seguido pelo próprio Gladson, com 16,60%. Jorge Viana aparece em terceiro, com 14,07%, tecnicamente empatado com Mara Rocha, que registra 12,77%, considerando a margem de erro.

Na sequência estão Sérgio Petecão, com 9,84%, Eduardo Veloso, com 5,82%, Júnior Feitosa, com 2,98%, e Inácio Moreira, com 1,24%. Brancos e nulos somam 3,63%, enquanto 14,21% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

O dado mais relevante, porém, está menos na fotografia da liderança e mais na instabilidade provocada pela situação jurídica e política de Gladson Cameli. A indefinição em torno da candidatura tende a produzir um efeito de desgaste sobre sua campanha, sobretudo porque a eleição para o Senado exige capacidade de manter presença constante durante todo o processo eleitoral.

Bittar, por outro lado, aparece beneficiado por uma campanha que vem sendo construída de forma contínua. O senador tem mantido uma agenda permanente e buscado diferentes segmentos do eleitorado, estratégia que pode ajudar a explicar sua vantagem nos dois cenários apresentados pela pesquisa.

Sem Gladson, Mara Rocha é quem mais cresce

A mudança mais significativa ocorre quando Gladson Cameli é retirado da disputa. Nesse cenário, Márcio Bittar amplia sua vantagem e chega a 21,32%. Mara Rocha salta para 17,20%, enquanto Jorge Viana aparece com 14,61%.

Sérgio Petecão também cresce e chega a 12,30%. Eduardo Veloso registra 6,51%, Júnior Feitosa, 3,48%, e Inácio Moreira, 1,49%. Brancos e nulos somam 4,77%, enquanto o percentual de eleitores que não souberam ou não responderam sobe para 18,49%.

O crescimento de Mara Rocha é um dos sinais mais importantes da pesquisa. A ex-deputada demonstra capacidade de absorver parte do eleitorado identificado com a direita quando Gladson deixa de figurar entre as opções. O movimento sugere que a ausência do ex-governador não significa apenas redistribuição automática dos votos: ela altera a própria configuração da disputa.

Nesse desenho, Bittar mantém a dianteira, mas Mara se aproxima e Jorge Viana permanece competitivo. A disputa, portanto, passa a ter contornos mais claros entre candidatos de campos políticos distintos, sem que nenhum deles consiga abrir uma distância suficientemente ampla para transformar a eleição em uma corrida previsível.

Jorge lidera rejeição; Petecão enfrenta desgaste

Outro indicador que chama atenção é a rejeição. Jorge Viana aparece com 24,95%, o maior índice entre os candidatos. Sérgio Petecão vem em seguida, com 17,59%.

Márcio Bittar registra 17%, enquanto Gladson Cameli aparece com 10%. Mara Rocha tem 8%, Eduardo Veloso e Inácio Moreira, 4,17% cada, e Júnior Feitosa, 2,39%. Outros 14,12% não souberam ou não responderam.

O número de Jorge Viana precisa ser observado com cautela. O petista continua apresentando força eleitoral, mas enfrenta o desafio de transformar sua histórica identificação com o eleitorado de esquerda em votos suficientes para ocupar uma das duas vagas.

A comparação com o desempenho de candidatos presidenciais do campo progressista também evidencia uma questão importante: a capacidade de transferência de votos não é automática. O eleitor pode votar em determinado candidato para um cargo majoritário e escolher outro nome para o Senado.

Por isso, a campanha de Jorge terá de avançar para além da identificação política. A exposição em debates, entrevistas, sabatinas e agendas de rua pode ser decisiva para ampliar seu conhecimento junto ao eleitor e reduzir a rejeição.

Sérgio Petecão aparece em uma posição intermediária. No cenário com Gladson, tem 9,84%; sem o ex-governador, chega a 12,30%. O crescimento demonstra que o senador ainda possui uma base eleitoral relevante, mas os números também revelam que sua candidatura não parte de uma posição confortável.

O desafio está justamente em converter estrutura política em voto. Petecão mantém apoios importantes no interior e entre lideranças municipais, mas a pesquisa mostra que o peso dessas alianças ainda não se traduz em uma vantagem capaz de colocá-lo entre os favoritos absolutos.

A rejeição de 17,59% também representa um obstáculo. Depois de uma longa trajetória política, o senador precisa enfrentar aquilo que analistas costumam chamar de desgaste natural do tempo de exposição: ao mesmo tempo em que o eleitor conhece o candidato, também acumula percepções positivas e negativas sobre sua trajetória.

A situação de Gladson Cameli adiciona uma variável jurídica a uma disputa que já é eleitoralmente complexa. A manutenção de uma candidatura sob questionamento pode produzir insegurança entre os eleitores e dificultar a consolidação de uma campanha.

Caso o candidato permaneça na disputa até a eleição e posteriormente tenha o registro ou diploma atingido por uma decisão judicial definitiva, os efeitos sobre os votos e sobre a composição do Senado dependerão do tipo de decisão e do momento processual. Portanto, não é possível afirmar de forma automática que o terceiro colocado assumiria a vaga apenas com base em uma eventual cassação.

Esse ponto é especialmente relevante porque a pesquisa mostra que a presença ou ausência de Gladson modifica significativamente o desempenho dos demais concorrentes. Sua retirada fortalece principalmente Mara Rocha, mas também melhora os números de Bittar e Petecão.

Com 18,49% de indecisos no cenário sem Gladson, há ainda uma parcela expressiva do eleitorado a ser conquistada. Esse contingente, somado aos votos que podem migrar durante a campanha, torna especialmente importantes as últimas semanas.