O médico e pré-candidato ao Governo do Acre Thor Dantas (PSB) afirmou que a saúde pública estadual enfrenta um déficit estrutural provocado, segundo ele, pela falta de investimentos e pela ausência de planejamento para acompanhar o crescimento da população. Durante entrevista ao podcast Papo Informal, o infectologista apresentou sua experiência na gestão da saúde como principal argumento para defender uma mudança de rumo no setor.
“Saúde é o que eu mais entendo. Eu entendo profundamente”, afirmou.
Com 28 anos de medicina e 22 anos como professor de medicina, Thor relembrou passagens pela direção do Pronto-Socorro de Rio Branco, pela Secretaria de Estado de Saúde e pela superintendência da Fundação Hospitalar do Acre. Segundo ele, foi durante suas gestões que serviços considerados fundamentais para a rede estadual foram implantados.
Entre os exemplos citados estão a primeira UTI do Pronto-Socorro, a implantação do Samu, o Hospital do Câncer, o serviço de hemodiálise, unidades hospitalares no interior e o Hospital Regional do Juruá.
Dantas afirmou que o Acre não acompanhou o crescimento da população com a expansão da estrutura hospitalar. Na avaliação dele, o resultado é uma rede pressionada, com pacientes ocupando macas e corredores do Pronto-Socorro de Rio Branco.
“O Acre hoje tem metade do número de leitos que deveria ter para atender a população.Na minha época não tinha maca no corredor”, relatou.
Ao falar sobre a superlotação do Pronto-Socorro, Thor afirmou que o problema não pode ser resolvido apenas aumentando o número de profissionais ou melhorando o atendimento dentro da emergência. Para ele, o gargalo está no fluxo de pacientes.
O médico lembrou que, durante sua gestão, existia uma equipe responsável diariamente pela chamada gestão de leitos, acompanhando os pacientes e buscando liberar vagas na rede de retaguarda. “Na minha época não tinha”, respondeu ao ser questionado se havia pacientes em macas nos corredores.
Segundo Thor, o Pronto-Socorro recebe pacientes ininterruptamente e precisa ter para onde encaminhá-los. Quando o paciente necessita de internação, depende de um leito hospitalar disponível. Sem essa estrutura, a emergência fica congestionada.
Na avaliação do pré-candidato, a Fundhacre deixou de ter capacidade para absorver a demanda atual.
Hospital Universitário como resposta ao déficit
A principal aposta apresentada por Thor para ampliar a capacidade do sistema é a construção de um Hospital Universitário no Acre. Ele afirmou que trabalha há aproximadamente três anos, em articulação com Jorge Viana em Brasília, para viabilizar o projeto.
Thor classificou a construção da unidade como uma “questão de honra” e afirmou que o hospital estará entre as prioridades de seu eventual governo.
A proposta não seria apenas aumentar o número de leitos. Segundo ele, a unidade também ajudaria a formar e reter profissionais, ampliar programas de especialização e melhorar a qualidade do ensino médico. “O único estado do país que ainda não tem hospital universitário”, afirmou.
Um dos pontos mais duros da crítica foi direcionado à política de contratação de especialistas. Thor afirmou que o Acre forma aproximadamente 50 especialistas por ano em programas de residência médica, mas não consegue manter esses profissionais na rede pública. “Hoje vão todos embora, porque o Acre não os contrata”, disse.
Ele citou a ortopedia como exemplo. Segundo o médico, o Estado forma especialistas na área, mas o Pronto-Socorro chega a enfrentar falta de ortopedistas, sendo necessário recorrer a profissionais ou empresas de fora.
Para o pré-candidato, trata-se de uma contradição que precisa ser corrigida. “Nós vamos contratar esses profissionais sistematicamente. Todo ano, quando saírem da residência, vão ter contratos já para eles, esperando eles para trabalhar”, afirmou.
Thor também atacou a concentração dos serviços especializados na capital.
Para ele, a expansão da saúde não pode se limitar a Rio Branco. O fortalecimento das regionais seria fundamental para evitar que pacientes percorram centenas de quilômetros em busca de atendimento.
Cruzeiro do Sul foi apresentado como exemplo de uma experiência que, na avaliação de Thor, funcionou. Ele citou o Hospital Regional do Juruá como resultado de um modelo de gestão implantado durante sua passagem pela administração pública.
Já outras regiões, segundo ele, estariam em situação muito mais precária.
Em Brasiléia, Thor afirmou que a ausência de um cirurgião-geral de plantão 24 horas por dia é incompatível com as necessidades de uma cidade que atende uma região de fronteira e possui forte circulação de pessoas.
“Se você tiver uma apendicite, se você tiver um acidente, uma facada, um acidente qualquer, um cirurgião pode ser a diferença entre você estar vivo ou morto”, afirmou.
Em Tarauacá, a crítica foi ainda mais básica. Segundo o médico, o município não possui oferta pública regular de ultrassonografia, fazendo com que moradores dependam da rede particular ou precisem buscar atendimento em outras cidades.
Sena Madureira também foi apontada como uma das regiões que precisam de uma intervenção estrutural. “Há um descompasso” na política de saúde
Na avaliação de Thor, o problema é resultado de um descompasso entre o que o Acre consegue formar e aquilo que consegue contratar; entre o crescimento da população e a expansão dos hospitais; e entre a necessidade do interior e a concentração dos serviços na capital. “Há um descompasso na política de saúde do Acre, na formação e na contratação”, resumiu.





