Rio Branco, AC, 22 de setembro de 2026 16:37
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Deputados entram em embate por conta da falta de merenda em escolas do Acre e clima esquenta na Assembleia

A falta de merenda escolar em duas escolas de ensino integral do Acre rendeu um embate entre os deputados Edvaldo Magalhães (PCdoB), Manoel Moraes (PP) e Eduardo Ribeiro (Republicanos). As denúncias foram trazidas à tribuna por Edvaldo. As escolas citadas são Maria de Nazaré Santiago, em Cruzeiro do Sul, e o Colégio Armando Nogueira, em Rio Branco. Nas duas instituições, a merenda não é suficiente e pouco nutritiva.

A respeito da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria de Nazaré Santiago, de ensino integral, Edvaldo disse que não está sendo abastecida com merenda suficiente para atender aos estudantes. A mesma situação acontece no Colégio Armando Nogueira, em Rio Branco.

“É uma escola que atende uma comunidade rural enorme, mas alguém pode dizer assim: ‘essa aí é uma exceção’. Mas, quem acompanha o trabalho e o debate acerca desse problema de merenda escolar e o transporte escolar aqui nesta Casa, sabe que não é uma exceção”, denunciou Edvaldo Magalhães.

Ao falar sobre o Colégio Armando Nogueira, o parlamentar ressaltou que não se trata de uma escola situada distante, mas sim em Rio Branco, ‘na biqueira’ da Secretaria de Estado de Educação (SEE), apontando que há uma deficiência na política da merenda escolar, executada pela pasta.

“Não é do município, não é da zona rural, não é uma escola distante que não deu tempo chegar a merenda. Isso aqui é o Colégio Estadual Armando Nogueira. Isso foi ontem, segunda-feira, dia 21”, destacou.

Edvaldo Magalhães destacou, ainda, que em menos de 60 dias foram deflagradas três operações envolvendo a Secretaria de Estado de Educação. Ou seja, envolvendo a merenda escolar, o transporte escolar e uma plataforma direcionada aos estudantes do ensino médio.

“Nos últimos 60 dias houve operação da Polícia Federal envolvendo a Secretaria de Educação duas vezes. Uma vinculada à merenda escolar e outra vinculada ao transporte escolar. E a outra, uma mutreta grande daquela plataforma fantasma dos alunos do ensino médio. Cadastraram os alunos do ensino médio todos numa plataforma gastando mais de R$ 2 milhões, por mês. Já pagaram não sei quantos milhões para uma empresa recém-aberta de São Paulo, mas o sócio é lá do Juruá. Estão metendo a mão no transporte das crianças. Estão metendo a mão na merenda das crianças. O governo faz uma programada do prato extra, está faltando o prato, porque eles não estão recebendo proteína. Está faltando o almoço para os alunos do ensino integral, bem na biqueira da Secretaria de Educação, em Rio Branco”, frisou.

Em outro ponto do discurso, Edvaldo disse que o Acre vive “sob a política do absurdo”. “Um abuso que as autoridades fiscalizadoras precisam tomar uma atitude sobre isso, imediatamente”.

Ao usar a tribuna, o líder do governo, deputado Manoel Moraes (PP), rebateu o líder oposicionista. Disse que os fatos narrados por Edvaldo dão a entender que o Acre vive um caos.

“Não posso deixar de comentar algumas coisas aqui. Está chegando 4 de outubro. As pessoas pensam que é o Apocalipse, que é o juízo final. Todo mundo agora aparece com tudo que é problema. Alunos que estão falando as coisas orientados por professores, por diretores, por pais. Polícia que quer aparecer, estadual e federal. Muita gente querendo aparecer, querendo ser importante. O juízo final não acaba agora, não. O juízo final é outra data. Mas, aqui no Acre, parece que está acabando”, disse Moraes

Em outro trecho, Manoel Moraes falou das dificuldades de abastecimento da merenda escolar. “Não é brincadeira você ter transporte para 100 mil alunos, 600 escolas nos lugares mais difíceis. A merenda não é fácil de abastecer. Não é como a gente quer. Agora, falta proteína, falta até lá em casa. Aqui em Rio Branco, com dinheiro e não tinha”.

Eduardo Ribeiro contestou Moraes. Disse que independente de questão eleitoral, o problema precisa ser resolvido.

“Os alunos não podem ser os responsáveis por esse problema. O que o Estado tem que fazer é enfrentar o problema e resolver. Vamos resolver, independente de questão eleitoral. Tem muito aluno com problema de transporte, escola com problema de merenda. Senta e resolve, meu irmão. O governo é para isso. Não podemos ser injustos com as crianças e adolescentes. Eles não podem pagar o preço”.