Rio Branco, AC, 19 de outubro de 2026 08:01

Quando a derrota nas urnas procura um culpado

Perder uma eleição nunca é fácil. Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer o resultado das urnas e tentar encontrar um culpado para explicar por que o eleitor escolheu outro caminho.

Michelle Melo tem todo o direito de continuar defendendo suas bandeiras e fazendo oposição. Aliás, isso faz parte da democracia. O que merece ser questionado é a tentativa de transformar uma derrota eleitoral em argumento para insinuar que um adversário só chegou à Assembleia Legislativa porque teria sido beneficiado pela estrutura do governo.

Samir Bestene (Progressistas) foi eleito com 11.335 votos. Não foram votos de uma secretaria, de um gabinete ou de uma caneta. Foram milhares de eleitores que, de forma legítima, escolheram colocar seu nome na Assembleia Legislativa.

E esses votos não nasceram no último mês de campanha. Samir já vinha de dois mandatos na Câmara Municipal de Rio Branco, construindo sua trajetória política no contato direto com a população. Depois da eleição, ele próprio atribuiu o resultado ao trabalho desenvolvido na vereança e à campanha realizada em diferentes regiões do Acre.

Sobre as acusações envolvendo terceirizados da Sesacre, é preciso ter responsabilidade. Houve, sim, uma apuração e uma decisão liminar da Justiça do Trabalho para proteger a liberdade de voto dos trabalhadores. Mas é importante esclarecer um detalhe que parece ter sido convenientemente esquecido: o documento com orientações para evitar qualquer tipo de assédio ou coação eleitoral não foi direcionado exclusivamente à Sesacre .

A recomendação alcançou as diversas secretarias e órgãos da administração pública, como medida preventiva para garantir que nenhum servidor ou colaborador sofresse qualquer tipo de pressão em razão de sua escolha eleitoral.

Ou seja, não se tratava de uma medida criada especificamente para a Sesacre, muito menos de uma sentença apontando que José Bestene ou Samir Bestene teriam coagido trabalhadores. Uma liminar preventiva não equivale a uma condenação por coação eleitoral. E o próprio Samir negou categoricamente que sua campanha tenha coagido trabalhadores.

E aqui entra uma coisa chamada experiência.

Eu trabalho com o José Bestene há muitos anos. Conheço sua maneira de trabalhar e, sinceramente, nunca presenciei esse tipo de comportamento. Muito pelo contrário. Sempre soube que existem servidores e colaboradores com preferências políticas diferentes, inclusive apoiando candidatos que não eram amigos ou da família Bestene. E isso nunca foi motivo para constranger ninguém.

Bestene sempre soube separar amizade, trabalho e política.

Por isso, é preciso ter cuidado para não transformar ilações em verdades e, muito menos, usar uma suspeita como explicação pronta para um resultado eleitoral.

A democracia tem dessas coisas: às vezes a gente ganha, às vezes a gente perde. E quando perde, pode até procurar onde errou, rever estratégias e fazer autocrítica. O que não parece razoável é tentar convencer o eleitor de que quase 11,4 mil pessoas votaram em alguém apenas porque existiria uma suposta estrutura por trás.

Talvez seja mais simples aceitar que Samir fez uma campanha, apresentou seu trabalho, caminhou, conversou com gente, foi às ruas e conquistou votos. E conquistou muitos, não só em Rio Branco, mas em todos os municípios do Acre.

A eleição acabou. O resultado está posto. Agora é hora de respeitar a vontade popular.

E, por fim, o eleitor pode até errar aos olhos de quem perdeu. Mas o voto continua sendo dele.

E como se diz no bom acreanês: quando a urna fala, até o Surubim precisa fazer silêncio. Perdeu a eleição, deputada? Faz parte.

Agora, querer explicar 11.335 votos como se fossem obra de uma secretaria… aí já é brincadeira, né não, deputada? Oxxxiiii…