Rio Branco, AC, 23 de outubro de 2026 08:29
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Comunista Edvaldo Magalhães diz que Jorge Viana perdeu vaga no Senado por abandonar sua base para tentar agradar a todos

“Foi se abraçar com o que ele queria ampliar e, de certa forma, deixar de cuidar da sua base encarnada.” Foi dessa forma que o deputado estadual Edivaldo Magalhães, do PCdoB, resumiu o que considera o principal erro eleitoral de Jorge Viana na disputa pelo Senado em 2026. A avaliação foi feita nesta quinta-feira, 22, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.

Ao analisar a campanha do ex-governador do Acre, Edivaldo afirmou que Jorge Viana conseguiu, durante boa parte da disputa, ampliar sua presença para além do eleitorado tradicional da esquerda e chegou a ser visto como favorito na corrida eleitoral. Segundo o deputado, a receptividade que encontrou em diferentes municípios durante suas viagens pelo estado indicava que havia uma disposição significativa do eleitorado para reconduzir Viana ao Senado Federal.

Na avaliação do comunista, porém, a estratégia de buscar novos segmentos eleitorais acabou deixando em segundo plano a mobilização da base histórica que sustentou a trajetória política do ex-governador. Para ele, ampliar o alcance de uma candidatura majoritária é necessário, mas esse movimento não pode ocorrer em detrimento dos eleitores que já formam seu principal núcleo de apoio.

“Ser amplo, ser capaz de dialogar com todas as tribos, ser propositivo e ter identidade não é incompatível”, afirmou o parlamentar, ao defender que uma candidatura pode buscar eleitores de diferentes campos políticos sem abrir mão de suas referências ideológicas.

A crítica de Edivaldo também envolve a relação de Jorge Viana com setores do agronegócio e do meio ambiente, além da postura adotada durante a campanha em relação à identidade política da esquerda. Na avaliação do deputado, a tentativa de construir uma candidatura mais abrangente precisava ter sido acompanhada de uma mobilização mais consistente dos apoiadores tradicionais do ex-governador.

“Eu não posso apenas querer ampliar, eu tenho que garantir aquilo que é a minha base principal”, declarou. Para o parlamentar, o risco de uma estratégia desse tipo é depender excessivamente dos votos conquistados em outros segmentos e, ao mesmo tempo, enfraquecer o apoio de eleitores que historicamente acompanham o candidato.

O deputado afirmou que, durante a campanha, já havia manifestado essa preocupação de maneira reservada, por entender que críticas públicas poderiam prejudicar a candidatura. Agora, após o resultado eleitoral, ele considera possível avaliar com mais clareza os erros de estratégia que, em sua opinião, contribuíram para o desfecho da disputa.

Edivaldo foi enfático ao afirmar que uma mobilização mais efetiva da base eleitoral poderia ter mudado o resultado. “Se ele tivesse feito um pouquinho de ajuste nisso há tempo, ele poderia ter ganhado as eleições”, disse.

Para o parlamentar do PCdoB, o caso de Jorge Viana deixa uma lição para futuras disputas eleitorais: ampliar alianças e conquistar novos eleitores é importante, mas preservar a identidade política e manter mobilizada a base original são condições fundamentais para uma candidatura competitiva.

Ao concluir a análise, Magalhães reiterou que considera a estratégia eleitoral adotada pelo ex-governador um erro tático que pode ter sido decisivo para a derrota. Na visão do deputado, a busca por novos apoios não deveria ter substituído o investimento político na base histórica da esquerda acreana.