Rio Branco, AC, 6 de novembro de 2026 09:20
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Perpétua diz que decisão sobre o Mercado Velho chega com dois anos de atraso e cobra responsabilidade pelo dinheiro público

Dois anos de alertas, uma estrutura que continua cedendo e dinheiro público já investido em uma obra que não conseguiu impedir o avanço do desmoronamento. A situação do entorno do Novo Mercado Velho, no centro de Rio Branco, foi alvo de críticas da deputada federal eleita Perpétua Almeida (PCdoB), que classificou como tardia a decisão do governo estadual de anunciar medidas emergenciais para conter o problema. Para ela, a resposta das autoridades chega quando os riscos já se agravaram e uma área importante para a economia, o turismo e a convivência social da capital está ameaçada.

A declaração foi feita nesta quinta-feira, 5, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.

Ao comentar o anúncio do plano emergencial e do decreto de emergência pela governadora Mailza Assis, Perpétua reconheceu a importância da iniciativa, mas questionou o tempo levado para que providências mais efetivas fossem adotadas.

“Antes tarde do que nunca. Mas ela chega com dois anos de atraso”, afirmou.

A parlamentar lembrou que, segundo os estudos técnicos mencionados na entrevista, o processo de movimentação da encosta já havia sido identificado anteriormente. Na época, especialistas alertavam que a área apresentava um avanço progressivo do desmoronamento. Para Perpétua, a demora em enfrentar o problema contribuiu para agravar uma situação que exigia acompanhamento permanente e intervenções adequadas.

“Se, naquela época, o geólogo, os estudiosos e os engenheiros já diziam que, a cada dois dias, um centímetro se alargava ali, imagine nos últimos dois anos o quanto isso não se agravou. Só colocar tapumes durante dois anos não resolve. Você só piora a situação”, declarou.

Outro ponto levantado pela deputada foi o investimento de recursos públicos em intervenções anteriores que não impediram o reaparecimento dos danos. Ela questionou a falta de manutenção e acompanhamento de estruturas construídas em uma área diretamente influenciada pela dinâmica do Rio Acre, que alterna períodos de cheia e vazante.

“Você imaginar que uma obra de beira de rio, que foi feita na época, tanto a ponte ali, a passarela como aquela estrutura toda, nunca vai precisar de manutenção? Precisa. E o pior é que, há dois anos, esse problema já tinha sido identificado”, observou.

Além da preocupação com a infraestrutura, Perpétua chamou atenção para o impacto humano e econômico do desmoronamento. Segundo ela, o entorno do Mercado Velho não representa apenas um cartão-postal de Rio Branco, mas também um espaço de trabalho, geração de renda, gastronomia e atração turística.

A parlamentar relatou que costuma frequentar o mercado quando está na capital e demonstrou preocupação com os comerciantes e trabalhadores que dependem do movimento de consumidores e visitantes.

Ela contou, inclusive, que em uma das visitas encontrou turistas de Minas Gerais que haviam recebido o mercado como uma das principais referências para conhecer a gastronomia acreana.

“Eu achei fantástico aquilo. Um casal de Minas estava lá, conhecendo o Acre, e tinha recebido o mercado como referência. E agora, quais referências as pessoas que vêm de fora vão ter?”, questionou.