Rio Branco, AC,12 de junho de 2026 07:00
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A pasta da Saúde é o “calo infeccionado” do Governo de Gladson Cameli

Trocaram o secretário de saúde Alysson Bestene por Mônica Feres e, aparentemente, nada se resolveu. Os problemas parecem terem aumentado. Não posso fazer uma análise técnica da gestão, mas as relações humanas baixaram demais com a nova equipe que assumiu o comando. A gente sente que o pessoal que “veio de fora” não quer saber de diálogo. Tipo assim: “vieram pra fazer um favor ao pobre povo acreano”. Alguns acho que nem sabiam que o Acre existia. Então tem que ser do jeito deles. Esse negócio de gentileza gera gentileza, imagino que eles pensam que é coisa de “comunista”. Aliás, virou moda. Quando não se tem argumentos para se enfrentar uma situação social o caminho mais fácil é acusar alguém de “comunista” e pronto. Não é assim que a banda toca. Quando se fala em saúde pública está se referindo às pessoas que precisam de atenção, de cura. Colocar política partidária nessa equação é algo temerário. A minha sugestão é mais delicadeza e sensibilidade para poder se abrir um diálogo que seja produtivo tanto aos gestores quanto aos sindicalistas. Mas sobretudo que traga benefícios para a população acreana.

Greve “precipitada”
Pelo que pude acompanhar a falta de diálogo foi o principal motivo dessa greve dos trabalhadores em saúde. Não senti que fizeram todos os esforços para o diálogo se esgotar antes da decisão radical. Muitos desencontros. Por parte do Governo colocaram os elementos medo e intimidação. Isso precipitou a greve que poderia ter sido evitada.

Questão de educação
O Coronel Resende, subsecretário de Saúde, poderia ter evitado o confronto com os sindicalistas. Segundo relatos chamou o pessoal que estava no saguão da Secretaria de “vagabundos”. Ou seja, tentou apagar um incêndio com gasolina. Ele acabou fortalecendo o movimento grevista.

O outro lado
Uma nota do Governo alega que o tal Coronel é que foi agredido pelos sindicalistas. Será? O fato é que a nota está assinada pelo secretário de articulação política, Alysson Bestene. Mas sinceramente o texto não tem a cara do Alysson. Me pareceu uma tentativa de inverter a situação. A polícia que apure quem foi o agredido. Depois de uma terça “tensa” o Governo deveria ter mantido o silêncio até a reunião marcada para quarta, às 15 hs. Mais um tiro no pé.

Herança
Sim, o atual Governo não pegou a saúde pública funcionando a contento. É fato público e notório que a gestão petista anterior deixou muitos problemas a serem resolvidos. Mas quando um grupo político disputa o poder é porque se acha qualificado para solucionar os problemas do passado, presente e futuro. Não é isso? Assim nesse momento quem está na berlinda é o atual Governo.

Fugindo da raia
Durante a sessão da ALEAC conversei com vários deputados estaduais da base governista. Nenhum queria subir à tribuna para defender o Governo. Apenas o líder Luiz Tchê (PDT) fez a defesa. Pegou uma vaia monumental das galerias lotadas de sindicalistas. No entanto, a argumentação do Tchê de que várias pautas grevistas já haviam sido cumpridas pelo Governo reforça a minha tese de que a greve aconteceu por falta de diálogo.

Reunião “furada”
Uma fonte, que obviamente não vou identificar, participou de uma reunião do Governo antes da greve. Pelo relato dele havia uma predisposição de alguns secretários de enfrentamento com os grevistas. Erraram no cálculo. O movimento poderá se estender e sangrar a popularidade do Governo.

Mais uma vez
Já escrevi várias vezes e vou repetir de novo. A popularidade pessoal do governador Gladson Cameli (Progressista) é alta e a do seu Governo é baixa. Isso porque muitos secretários respondem ao comando dos seus grupos políticos e não do governador. Só que isso tem um limite. Se a população começar a reclamar dos serviços da gestão a popularidade de todos irá despencar. Falta diálogo interno no Governo. Alguns esqueceram que o eleito pela população do Acre foi o Gladson. Secretários e diretores são cargos de confiança e devem seguir o comando de quem governa. Se essa premissa não for obedecida poderemos em muito pouco tempo viver um caos no Estado.