A cabeça grande do senador Sérgio Petecão (PSD) pensa política 24 horas por dia. E não o subestimem porque ele já mostrou ser mais inteligente e articulado do que muitos pensam. Também não se enganem com o seu jeito brincalhão, Petecão não dá um passo sem saber pra onde está indo. Jogada de mestre do senador convidar a prefeita Socorro Neri (PSB) para se unir ao seu partido com a garantia de disputar a prefeitura de Rio Branco em 2020. Se Neri tiver juízo deve aceitar. Assim ela entrará no jogo com chances reais de vencer. Unida ao PT e ao PC do B, que não confiam nela pela sua origem ideológica, Socorro terá possibilidades reduzidas de se reeleger.
Jogo de Xadrez
Petecão escolheu uma candidata forte para representar seu grupo político. Socorro Neri está no mandato de prefeita e isso representa uma enorme vantagem na eleição. Por outro lado, se o plano do senador der certo e conseguir vencer a disputa pela prefeitura de Rio Branco fica qualificado para ser um candidato competitivo ao Governo do Acre, em 2022.
Experiência do passado
Digo pra não subestimarem o Petecão porque alguns fatos são notórios na sua trajetória política. O cara foi presidente da ALEAC quatro vezes. Depois deputado federal e ganhou sua primeira eleição ao Senado quando era um “azarão” contra o favorito Edvaldo Magalhães (PC do B), em 2010. Naquela campanha todas as máquinas dos governos estadual e federal trabalharam para o comunista.
Experiência do passado 2
Em 2018 as pesquisas mostravam Jorge Viana (PT) favorito à uma das vagas do Senado em disputa. Petecão patinava sempre no terceiro e quarto lugar. Eram poucos que acreditavam na sua reeleição. De repente o jogo se inverteu. Com um discurso sobre a fragilidade da segurança pública no Acre no plenário do Senado, Petecão conseguiu colocar todo o “impopular” Governo de Tião Viana (PT) contra ele. Se tornou uma vítima como os eleitores adoram. Dali pra frente passou a liderar a disputa, venceu com um “banho de votos” e ainda ajudou a levar Márcio Bittar (MDB) para a segunda vaga, tirando o favorito Jorge Viana de cena.
A fumaça e o fogo
Obviamente que Petecão não vai se declarar candidato ao Governo nesse momento. Mas todos os seus movimentos políticos levam a isso. Ele diz que como qualquer político sonha em governar o seu Estado, mas que jamais passaria por cima do atual governador Gladson Cameli (Progressistas). Um discurso conveniente ao momento. Mas esperem mais dois anos pra verem.
Ônus da prova
Qualquer Governo se desgasta naturalmente com o tempo. Não dá pra atender toda a expectativa da população. A atual gestão não será diferente. Resta saber se a gordura acumulada com a popularidade pessoal em alta do governador Gladson Cameli as coisas possam ser diferentes. Mas a tendência é o Governo e o governador se equivalerem na avaliação pública ao longo do tempo. E muitos erros têm sido cometidos pela equipe governamental.
Calcanhar de Aquiles
O atual Governo ainda não deu respostas convincentes em duas áreas essenciais: a segurança e a saúde. O problema dessas pastas é que envolvem vidas. Pessoas morrem por falta de segurança e de uma saúde pública eficiente. Existem investimentos a caminho que se forem bem aplicados poderão mudar esse espectro negativo. Mas isso é algo que só o tempo dirá.
Na espreita
Enquanto isso, Petecão e outros políticos que sonham em ser governadores do Acre ficam só observando. E na política não existe amizade que refreie a ambição de se chegar ao topo. As candidaturas irão se definir em 2021 de acordo com dois fatores preponderantes: o resultado das eleições municipais e a avaliação popular do atual Governo.
No trono
Gladson Cameli terá que saber jogar bem nos próximos meses. Além de promover as reformas na sua equipe que são necessárias, escolher os candidatos que apoiará nas eleições municipais. O governador só decidirá o caminho da reeleição ou uma volta ao Senado no momento certo. Isso significa uma avaliação do resultado da sua gestão mais a frente. Se estiver em alta poderá continuar no trono, mas se os desgastes forem grande poderá optar por um plano B que seria o Senado. Por enquanto, Gladson está com o queijo e faca na mão pra ditar os rumos da política acreana. Mas é bom se precaver porque a sua volta está cheia de armadilhas.
Nota
Ao longo dessa semana vou analisar as outras variáveis políticas que envolvem a disputa da prefeitura de Rio Branco em 2020 e o Governo do Estado em 2022.

