Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 19:26
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A imprensa acreana é uma só: privilégios seletivos já se tornaram imorais

Quem vive o jornalismo diário no Acre conhece uma realidade que raramente aparece nas fotografias oficiais ou nos discursos sobre democracia e transparência. É a rotina de quem acorda cedo, enfrenta trânsito, corre atrás de pautas, disputa espaço em coletivas e, muitas vezes, percebe que nem todos os veículos de Comunicação são tratados da mesma forma.

A teoria é bonita. Todos os jornalistas são importantes. Todos os veículos cumprem um papel essencial para a democracia. Todos merecem respeito. Na prática, porém, ainda existem assessorias públicas e privadas que insistem em estabelecer uma espécie de hierarquia informal entre profissionais da imprensa.

Há os “escolhidos”. Aqueles que recebem informações antes dos demais, têm acesso privilegiado às fontes, conseguem entrevistas exclusivas sem justificativa plausível e ocupam sempre os melhores espaços nos eventos oficiais. E há os demais, que precisam disputar informações que deveriam ser públicas e acessíveis a todos.

O mais curioso é que muitos desses privilégios são concedidos justamente por estruturas mantidas com recursos públicos. Ou seja, por órgãos que deveriam tratar todos os veículos de maneira igualitária.

Quando algum jornalista ousa questionar esse comportamento, frequentemente encontra outro problema: a arrogância. Surgem as caras fechadas, os olhares de reprovação e a velha tentativa de transformar uma reivindicação legítima em reclamação inconveniente.

Mas a pergunta precisa ser feita: qual é o critério para privilegiar um veículo em detrimento de outro? Audiência? Alcance? Simpatia política? Amizade pessoal? Nenhuma dessas justificativas se sustenta quando se trata de informação pública.

A notícia pertence à sociedade. O papel da assessoria é facilitar o acesso à informação, não escolher quem merece recebê-la primeiro.

O problema se agrava quando alguns veículos passam a acreditar que possuem uma espécie de monopólio da relevância. Agem como se fossem a única voz autorizada do jornalismo acreano, como se os demais profissionais estivessem ali apenas para cumprir tabela.

Não estão.

O Acre possui uma imprensa plural, composta por grandes, médios e pequenos veículos, portais independentes, rádios, televisões, jornais e profissionais que trabalham diariamente para informar a população. Nenhum deles é mais importante do que o outro quando o assunto é o direito à informação.

Talvez a mudança só aconteça quando os demais veículos decidirem reagir coletivamente. Quando deixarem de aceitar passivamente situações de desigualdade. Quando demonstrarem que cobertura jornalística não é favor concedido por assessorias nem privilégio reservado a grupos específicos.

Enquanto isso não acontece, a velha cultura dos favorecimentos continua sobrevivendo.

E cada vez que isso ocorre, não é apenas um veículo que perde espaço. É a própria credibilidade da comunicação institucional que sai enfraquecida. A imprensa acreana é uma só. Pode ter linhas editoriais diferentes, públicos diferentes e tamanhos diferentes. Mas merece o mesmo respeito.

Qualquer tratamento diferente disso não é apenas inadequado. Já se tornou imoral.