Rio Branco, AC, 21 de setembro de 2026 16:12
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Parentesco não é culpa: atos atribuídos a Antônio Rueda não podem ser automaticamente transferidos a Fábio Rueda

Em período eleitoral, é preciso ter cuidado para que fatos envolvendo familiares de candidatos não sejam transformados artificialmente em arma de campanha.

As acusações divulgadas contra Antônio Rueda dizem respeito a Antônio Rueda. Se houve crime, abuso ou qualquer outra conduta irregular, cabe às autoridades apurar, garantir o direito de defesa e, havendo provas e responsabilidade, aplicar o que determina a lei.

O que não é razoável é tentar transferir automaticamente essa responsabilidade para o irmão, Fábio Rueda, simplesmente porque os dois pertencem à mesma família.

Fábio Rueda disputa uma vaga de deputado federal pelo Acre. Até o momento, nas informações que consultei sobre esse episódio, não encontrei indicação de participação de Fábio nos fatos relatados no quarto de hotel em São Paulo.

É perfeitamente legítimo questionar Fábio por seus próprios atos, propostas, trajetória, financiamento eleitoral, relações políticas ou decisões tomadas durante a vida pública. O que exige cautela é atribuir a ele responsabilidade por uma conduta imputada a outra pessoa apenas em razão do vínculo familiar.

Parentesco não significa participação.

Se amanhã um irmão, filho, pai ou primo de qualquer candidato cometer um erro ou for acusado de um crime, isso não transforma automaticamente o candidato em responsável pelo mesmo fato. A responsabilidade precisa ser individualizada e sustentada por evidências.

O debate eleitoral ganha mais quando confronta cada candidato com aquilo que efetivamente fez, defendeu ou deixou de fazer. Usar exclusivamente o sobrenome para transferir uma acusação de uma pessoa para outra empobrece o debate e pode produzir uma associação que os fatos, por si só, não demonstram.

Isso não significa blindar Fábio Rueda de questionamentos. Significa apenas aplicar a ele o mesmo critério que deveria valer para qualquer candidato: cada pessoa deve responder por seus próprios atos, e qualquer vínculo entre a conduta de um familiar e a atuação do candidato precisa ser demonstrado, não presumido.