Rio Branco, AC, 14 de setembro de 2026 12:32
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Cesta básica fica 4,68% mais barata em Rio Branco, maior queda entre capitais, mas preço dos alimentos ainda pesam no bolso

Depois de meses pressionando o orçamento das famílias, a cesta básica deu uma trégua ao consumidor de Rio Branco em agosto. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta que o preço do conjunto de alimentos caiu 4,68% na capital acreana, a maior redução registrada entre as 27 capitais pesquisadas.

Com a queda, a cesta passou a custar cerca de R$ 659. O resultado trouxe algum alívio para quem precisa equilibrar alimentação, aluguel, transporte e outras despesas com uma renda cada vez mais apertada.

A redução, entretanto, está longe de significar que a alimentação ficou barata. O levantamento mostra que boa parte dos produtos básicos continua acumulando aumentos expressivos desde o fim de 2025.

Tomate foi o “vilão” da queda

Entre os 12 produtos analisados em Rio Branco, seis registraram redução de preço em agosto. O principal responsável pela queda da cesta foi o tomate, cujo preço recuou cerca de 26% no período.

A forte redução está diretamente relacionada à sazonalidade da produção. No Acre, os preços de diversos alimentos sofrem oscilações significativas ao longo do ano em razão das condições de produção, oferta e transporte.

Além do tomate, arroz e carne bovina também apresentam variações importantes de preços de acordo com o período e as condições do mercado.

A característica do mercado acreano ajuda a explicar parte desse comportamento. A distância dos grandes centros produtores e a baixa produção interna fazem com que os custos de logística tenham peso significativo na formação dos preços.

Trabalhador precisou trabalhar quatro horas a menos

A redução da cesta também teve reflexo direto na quantidade de horas que o trabalhador precisa dedicar ao trabalho para conseguir comprar os alimentos básicos.

Considerando um salário mínimo de R$ 1.621, foram necessárias 89 horas e 32 minutos de trabalho em agosto para adquirir a cesta em Rio Branco.

Em julho, eram necessárias 93 horas e 55 minutos.

Na prática, a queda representou uma economia de 4 horas e 23 minutos de trabalho. O comprometimento da renda também diminuiu. Em agosto, a cesta consumiu aproximadamente 43% do salário mínimo, contra 46,15% em julho.

Apesar da melhora mensal, o alívio ainda é insuficiente para apagar a pressão acumulada sobre o orçamento das famílias.

Feijão acumula alta de mais de 35%

Desde dezembro de 2025, a cesta básica em Rio Branco acumula alta de 5,36%. Dos 12 produtos pesquisados, oito ficaram mais caros nesse intervalo.

O caso mais expressivo é o do feijão carioca, que acumula alta de 35,32%. A carne bovina subiu 11,6%, enquanto o leite integral ficou 8,86% mais caro. O arroz, item indispensável na mesa dos acreanos, acumula alta de 6,69%.

Os números mostram que a queda registrada em agosto ainda não representa uma mudança definitiva na trajetória dos preços dos alimentos.

Farinha, arroz, manteiga e leite subiram em agosto

Enquanto o tomate ajudou a derrubar o valor da cesta, outros produtos fizeram o caminho inverso. A maior alta registrada em agosto foi a da farinha de mandioca, que subiu 8%. O arroz agulhinha teve aumento de 3%, seguido pela manteiga, com alta de 2,10%, e pelo leite integral, que ficou 0,79% mais caro.

O contraste ajuda a explicar por que uma redução expressiva no preço de um único produto pode provocar uma queda significativa no valor total da cesta, sem necessariamente representar uma melhora generalizada dos preços nos supermercados.

Trégua pode ser passageira

Se agosto trouxe uma folga para o bolso, o cenário para os próximos meses exige cautela. A avaliação é de que fatores climáticos podem voltar a pressionar a produção e, consequentemente, os preços dos alimentos. Eventos como o El Niño, além de alterações no regime de chuvas e temperaturas, podem afetar lavouras e criações, reduzindo a oferta e elevando os custos.

No Acre, o problema é agravado pela dependência de produtos vindos de outras regiões. Quando o preço na origem aumenta, o custo do transporte e da distribuição acaba chegando ao consumidor.

Por isso, apesar da queda de 4,68% em agosto, a cesta básica ainda revela uma realidade que pesa no bolso do trabalhador: o alívio veio, mas a comida continua cara.

E o comportamento dos preços nos próximos meses dependerá não apenas dos supermercados, mas também do clima, da produção agrícola, da oferta de alimentos e do custo para fazer esses produtos chegarem até a mesa dos acreanos.