Rio Branco, AC, 25 de agosto de 2026 15:46
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Mulheres acreanas em situação de violência e mães atípicas terão acesso a atendimento psicológico gratuito pelo SUS

Mulheres do Acre que enfrentam situações de violência ou convivem com a sobrecarga do cuidado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras já podem contar com uma nova opção de atendimento psicológico gratuito e remoto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço foi ampliado para todos os estados brasileiros e tem capacidade para oferecer até 100 mil teleatendimentos por mês.

A iniciativa, chamada Acolhe Mais, permite que mulheres em situação de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral recebam acompanhamento psicológico por videochamada, sem precisar apresentar documentos que comprovem a violência ou passar previamente por uma unidade de saúde.

No Acre, a medida amplia as possibilidades de acesso à rede de proteção, especialmente para mulheres que vivem em municípios distantes da capital ou enfrentam dificuldades de deslocamento e de acesso a serviços especializados.

A oferta também contempla as chamadas mães atípicas e outras familiares que exercem atividades de cuidado não remunerado, como mães, tias, avós e irmãs de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O objetivo é oferecer um espaço seguro de escuta, acolhimento e construção de estratégias de proteção e bem-estar.

Como funciona

O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, utilizando a conta Gov.br. Na plataforma, a usuária deve acessar a área de “Miniapps” e selecionar a opção “Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.

Depois do cadastro e do preenchimento do acolhimento digital, a equipe avalia as informações e entra em contato em até 24 horas para o agendamento. As consultas são realizadas por psicólogas capacitadas pelo Ministério da Saúde para oferecer uma escuta especializada e identificar possíveis situações de risco.

Cada mulher poderá realizar ciclos de até 10 sessões, com possibilidade de renovação quando houver necessidade. Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, no horário de Brasília.

A iniciativa começou como projeto-piloto em março, inicialmente em Recife e no Rio de Janeiro, e agora foi ampliada para mulheres de todo o país.

A nova ferramenta chega ao estado em um cenário que reforça a necessidade de ampliar o atendimento às mulheres acreanas. Dados da Secretaria de Estado da Mulher do Acre apontam que 14.973 mulheres foram atendidas em 2025 por meio de acolhimentos, atendimentos e escutas qualificadas. No mesmo período, foram realizados 3.674 encaminhamentos para a rede de proteção e 1.248 ações em 22 municípios.

O teleatendimento não substitui os serviços presenciais da rede de proteção, mas pode funcionar como uma porta de entrada para o cuidado em saúde mental e, quando necessário, para o encaminhamento a outros serviços do SUS.

Em casos de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190 ou o Samu pelo 192. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 também funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana.