Rio Branco, AC, 14 de agosto de 2026 08:19
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Tatuou, colocou piercing ou fez procedimento estético? Prazo para doar sangue será reduzido a partir de outubro

Quem tem tatuagem, piercing ou passou por determinados procedimentos estéticos terá menos tempo de espera para voltar a doar sangue no Brasil. As novas regras entram em vigor em outubro e também ampliam a possibilidade de doação para pessoas com mais de 70 anos que já são doadoras regulares.

A mudança foi estabelecida pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em julho. A atualização altera critérios de segurança para a triagem de candidatos à doação e incorpora novas tecnologias utilizadas na análise do sangue.

No caso de tatuagens, maquiagem definitiva e procedimentos como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, o intervalo poderá cair para sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em estabelecimento que siga as normas de segurança sanitária.

Quando não for possível comprovar as condições de segurança do local onde o procedimento foi feito, o período de espera será de quatro meses.

A regra também muda para quem possui piercing na boca ou na região genital. A doação poderá ocorrer quatro meses após a retirada do acessório.

Outro prazo que será reduzido envolve pessoas submetidas a endoscopia ou que tenham utilizado anabolizantes sem prescrição médica. Nesses casos, o intervalo passará de seis para quatro meses.

Novos critérios para exposição à malária

A atualização também altera a avaliação de pessoas que estiveram em regiões com risco de transmissão da malária. A mudança está relacionada à utilização do exame NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz.

Além de HIV e hepatites B e C, o teste permite identificar o parasita responsável pela malária. Com a nova estratégia de triagem, pessoas que tenham passado por áreas endêmicas ou tido exposição a regiões de mata, bosque ou floresta poderão, em situações previstas pela norma, doar após 30 dias.

A medida reduz o período de impedimento que poderia chegar a um ano em determinadas situações.

Sangue terá rastreamento ampliado

Outra novidade está relacionada à identificação das bolsas e amostras coletadas. O material passará a utilizar o padrão internacional ISBT 128, sistema que permite acompanhar o sangue nas diferentes etapas, desde a coleta até a transfusão e o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos.

Segundo o Ministério da Saúde, a medida busca aumentar a rastreabilidade e reduzir riscos de falhas na identificação dos materiais.

O prazo de validade dos concentrados de plaquetas também será ampliado. Com a nova regulamentação, o componente poderá ser utilizado por até sete dias, em vez dos cinco dias previstos anteriormente.

A alteração pode ampliar a disponibilidade de plaquetas para pacientes que dependem de transfusões frequentes, como pessoas em tratamento contra o câncer e indivíduos com doenças hematológicas.

Doadores acima dos 70 anos

A nova regulamentação também muda o tratamento dado aos doadores que completam 70 anos. Pessoas que já são doadoras regulares poderão continuar contribuindo após essa idade, desde que estejam em boas condições de saúde e sejam consideradas aptas na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.

O candidato também deverá respeitar os intervalos de doação estabelecidos para sua faixa etária.

Quem pode doar

Entre os critérios gerais estão ter pelo menos 18 anos, pesar no mínimo 50 quilos e ter dormido ao menos seis horas nas 24 horas anteriores à doação.

Adolescentes de 16 e 17 anos também podem doar, mas precisam apresentar autorização formal do responsável legal.

No momento da doação, é necessário apresentar documento oficial de identificação com foto. Documentos digitais também podem ser aceitos, conforme as regras do serviço.

O candidato deve estar alimentado e evitar alimentos gordurosos nas três horas anteriores à doação