Rio Branco, AC, 1 de setembro de 2026 14:52
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André Kamai expõe risco de privatização transformar Saerb em balcão de negócios

Enquanto milhares de famílias em Rio Branco enfrentam a incerteza diária da torneira seca, a gestão municipal opta pelo caminho mais curto e perigoso: transferir a responsabilidade do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) para as mãos da iniciativa privada. Em resposta ao avanço acelerado dessa pauta, trabalhadores da autarquia ocuparam a frente da Prefeitura Municipal num manifesto por dignidade, encontrando ressonância firme na tribuna da Câmara Municipal.

O vereador André Kamai subiu ao parlamento para dar voz à apreensão dos servidores e à dor da população vulnerável. Num discurso firme contra a tentativa de desmonte do serviço público, Kamai demarcou a fronteira entre a lógica do lucro e o dever do Estado.

“Empresas privadas fornecem água a partir da necessidade de lucro. O serviço público fornece água a partir da premissa do direito — do direito de todo o mundo ter água tratada e potável para poder ter uma vida digna”, alertou o vereador.

A crítica recai sobre o ritmo açodado e a falta de diálogo com que o Executivo tenta descartar a crise hídrica da capital. Em vez de construir soluções estruturantes por meio de parcerias com os governos Estadual e Federal, o modelo de concessão privada flerta com desfechos tragicamente conhecidos em outras regiões do país, onde as tarifas sobem vertiginosamente e a qualidade do serviço degrada-se.

“Não é a privatização que vai resolver o problema de abastecimento. Isso não pode ser feito como um processo para a prefeitura, em tese, se livrar de um problema. Esse é um problema que não é da prefeitura, é do povo de Rio Branco”, afirmou Kamai, solidarizando-se integralmente com os trabalhadores do Saerb e exigindo a realização de audiências públicas para impedir que a matéria seja votada sem debate com a sociedade.

Kamai alertou, ainda, que água não é mercadoria e que o trabalhador público não é descartável. Segundo ele, a resistência que hoje ganha as ruas e a tribuna da Câmara reflete o clamor de uma cidade que recusa a omissão e exige investimentos sérios para garantir o básico: água limpa na torneira e respeito à vida humana.