Rio Branco, AC, 1 de setembro de 2026 15:16
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Fundo eleitoral escancara desigualdade na corrida ao Senado no Acre: candidatos recebem milhões enquanto outros têm menos de R$ 10 mil

A pouco mais de um mês das eleições de 4 de outubro, a corrida pelas duas vagas do Acre no Senado já revela uma diferença milionária entre os candidatos quando o assunto é dinheiro disponível para financiar as campanhas.

Levantamento com base nas prestações de contas eleitorais mostra que Gladson Cameli (PP) e Márcio Bittar (PL) são, até o momento, os candidatos que concentram os maiores volumes de recursos recebidos para a disputa. Na outra ponta estão nomes que ainda praticamente não contam com dinheiro para movimentar suas campanhas.

Gladson aparece no topo do ranking. O candidato recebeu R$ 3,03 milhões do Progressistas para financiar sua campanha ao Senado. O valor o coloca isoladamente como o principal beneficiário entre os candidatos analisados.

Logo atrás está Márcio Bittar, do PL, com R$ 3,02 milhões repassados pelo partido. Além do dinheiro proveniente do fundo eleitoral, Bittar também registrou uma doação de R$ 20 mil feita por ele próprio à campanha.

Somados, apenas os recursos partidários destinados a Gladson Cameli e Márcio Bittar chegam a R$ 6,05 milhões, evidenciando a distância financeira entre os candidatos que estão no topo e aqueles que ainda aguardam repasses ou dependem de doações de pessoas físicas.

Petecão, Jorge Viana e Mara Rocha ficam no meio do caminho

O terceiro maior volume de recursos entre os candidatos é de Sérgio Petecão (PSD), que disputa a reeleição. O senador recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do PSD para a campanha.

Na sequência aparece Jorge Viana (PT), que acumula R$ 1.608.286,27 em recursos declarados. Além desse montante, a campanha registra ainda pequenas doações de Madson Willander Melo Sá e Antônio Siqueira e Silva Neto, no valor de R$ 20.

Mara Rocha (MDB) recebeu R$ 1.195.998,40 para investir na disputa. A candidata também contou com uma contribuição de R$ 2 mil feita pelo marido, Marcos Gripp, registrada como doação à campanha.

Os números mostram que, embora Petecão, Jorge Viana e Mara Rocha estejam em uma faixa intermediária, ainda existe uma diferença significativa em relação aos dois candidatos que lideram a arrecadação.

Se Gladson Cameli e Márcio Bittar já movimentam cifras milionárias, a realidade é completamente diferente para outros candidatos. Eduardo Velloso (Solidariedade) declarou apenas R$ 9 mil em recursos, valor doado pelo próprio pai. É uma diferença de mais de R$ 3 milhões em relação ao líder do ranking.

Inácio Moreira (PSOL) declarou R$ 1.349, valor proveniente de uma doação feita pelo próprio candidato. Já Júnior Feitosa (Democratas) ainda não registrou nenhum recurso recebido para a campanha.

A disparidade chama atenção porque o dinheiro disponível pode determinar a capacidade de uma candidatura de contratar publicidade, produzir material de campanha, contratar serviços, ampliar a presença nas ruas e alcançar eleitores por meio das redes sociais e de outras estratégias de comunicação.

Ranking dos recursos declarados

1º — Gladson Cameli (Progressistas): R$ 3.030.000

2º — Márcio Bittar (PL): R$ 3.020.000

3º — Jorge Viana (PT): R$ 1.608.286,27

4º — Sérgio Petecão (PSD): R$ 1.500.000

5º — Mara Rocha (MDB): R$ 1.195.998,40

6º — Eduardo Velloso (Solidariedade): R$ 9.000

7º — Inácio Moreira (PSOL): R$ 1.349

8º — Júnior Feitosa (Democratas): R$ 0

Como os repasses e as prestações de contas podem ser atualizados ao longo da campanha, o cenário financeiro ainda pode mudar até o dia da eleição. Mas, faltando pouco mais de um mês para os eleitores irem às urnas, a diferença já é expressiva: enquanto alguns candidatos contam com milhões para estruturar suas campanhas, outros ainda tentam disputar espaço com valores que não chegam sequer a R$ 10 mil.