O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) colocou a situação da saúde pública no centro do discurso durante entrevista à Rádio Integração, em Cruzeiro do Sul, nesta terça-feira, 1º. Ao comentar os gargalos enfrentados pelo sistema, o ex-prefeito de Rio Branco criticou a concentração dos atendimentos na capital e classificou como inadmissível o cenário relatado por ele no Pronto-Socorro de Rio Branco.
Segundo Bocalom, a falta de estrutura hospitalar e de determinadas especialidades nos municípios do interior faz com que pacientes de diferentes regiões sejam encaminhados para a capital, agravando a sobrecarga sobre a principal unidade de urgência e emergência do Estado. “Tudo acaba caindo em Rio Branco. Rio Branco acaba ficando congestionada”, afirmou.
A crítica ganhou tom mais duro quando o pré-candidato relatou ter ouvido de uma pessoa uma comparação sobre as condições do Pronto-Socorro. De acordo com Bocalom, a unidade estaria enfrentando uma situação em que pacientes chegam a permanecer em macas do lado de fora.
“Bocalom, esse Pronto-Socorro de Rio Branco está parecendo um frigorífico. As pessoas chegam aqui e ficam jogadas na maca do lado de fora”, relatou. Na sequência, reagiu ao cenário descrito: “Meu Deus, não pode acontecer um negócio desse”.
Para Bocalom, parte do problema poderia ser enfrentada com a criação de hospitais de pequeno porte nos municípios do interior. A ideia, segundo ele, é fazer com que pacientes em situação de urgência recebam atendimento imediato na própria cidade, reduzindo a necessidade de deslocamentos para Cruzeiro do Sul ou Rio Branco.
O tucano citou Jordão e Santa Rosa do Purus como exemplos de municípios que, na avaliação dele, deveriam contar com unidades capazes de realizar procedimentos de emergência e estabilizar pacientes antes de uma eventual transferência.
Bocalom argumentou que, em determinados casos, a rapidez no atendimento pode ser decisiva. “Dali 10, 15, 20 minutos, se você fizer a intervenção, salva. Se não fizer, ela morre”, declarou.
A proposta prevê uma divisão de responsabilidades entre Estado e municípios. Conforme explicou, as prefeituras poderiam assumir a administração das unidades, enquanto o governo estadual entraria com apoio financeiro e medicamentos.
O pré-candidato citou como referência um modelo existente em municípios do interior de Rondônia, onde, segundo ele, hospitais passaram a ser municipalizados.
Bocalom também afirmou que a ausência de uma rede regionalizada de atendimento contribui para transformar Rio Branco em destino obrigatório para pacientes que poderiam ser tratados em seus próprios municípios.
Na avaliação dele, a descentralização permitiria desafogar o sistema da capital e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de resposta para quem vive distante dos grandes centros.
O pré-candidato disse que a deficiência de especialistas ainda é percebida no Juruá e que o quadro seria mais grave na região do Alto Acre. A estratégia defendida por ele seria ampliar gradualmente a estrutura hospitalar local, priorizando atendimentos de urgência e procedimentos que não exigissem transferência imediata.
A proposta, segundo Bocalom, faria parte do programa de governo que pretende apresentar durante a campanha.
Além da construção das unidades, Bocalom afirmou que o governo estadual poderia buscar recursos junto à União para viabilizar os investimentos e, posteriormente, assumir parte do custeio da estrutura.
A lógica apresentada pelo pré-candidato é criar uma rede capaz de resolver casos de menor complexidade no próprio município e reservar os hospitais de referência, principalmente em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, para situações que realmente exijam atendimento especializado.





