Rio Branco, AC, 16 de setembro de 2026 13:17
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“O silêncio também é um dado”: vereadora Elzinha Mendonça expõe violência contra mulheres e cobra reação do poder público

A vereadora Elzinha Mendonça (PP) usou a tribuna da Câmara de Rio Branco, na sessão desta quarta-feira, 16, para chamar atenção para os índices de violência contra as mulheres e cobrar o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.

Durante o discurso, a parlamentar citou dados do DataSenado, que integra o Mapa Nacional da Violência de Gênero, segundo os quais 33% das mulheres acreanas afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida.

Para Elzinha, um dos aspectos mais preocupantes é que muitas mulheres reconhecem ter sido vítimas de violência apenas quando são apresentadas a situações específicas, o que, segundo ela, demonstra a dificuldade de identificar determinados comportamentos abusivos.

“Violência não é apenas uma agressão física. Violência também é controlar, humilhar, ameaçar, perseguir, impedir que uma mulher trabalhe, controlar o dinheiro, afastá-la da família e dos amigos”, afirmou.

A vereadora destacou ainda o peso da violência psicológica. Segundo o levantamento citado por ela, essa modalidade aparece entre 90% das vítimas entrevistadas.

Na avaliação da parlamentar, o ciclo de violência pode começar com comportamentos que inicialmente parecem menos graves, mas que evoluem para ameaças, controle e isolamento.

“Ela começa com uma palavra. Depois vem uma ameaça. Um controle. Uma proibição. Um isolamento. E, quando ninguém percebe, aquela mulher já está presa dentro de um ciclo de violência”, disse.

Elzinha também chamou atenção para o fato de que 24% das mulheres entrevistadas ainda convivem diariamente com o próprio agressor, segundo os dados apresentados no discurso.

A parlamentar questionou as dificuldades enfrentadas por mulheres que desejam romper relacionamentos violentos, especialmente quando existe dependência financeira, medo ou falta de alternativas para deixar a residência.

“Não basta dizer para a mulher denunciar. Nós precisamos criar condições para que ela consiga denunciar”, defendeu.

Para a vereadora, o enfrentamento à violência contra a mulher precisa envolver diferentes áreas do poder público, incluindo segurança, saúde, assistência social, educação, geração de renda e direitos humanos.

Ela defendeu o fortalecimento da rede de proteção, com atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica, segurança e acolhimento, além da ampliação de ações de prevenção nas escolas, comunidades e famílias.

Elzinha também ressaltou que as políticas públicas precisam alcançar mulheres que vivem em regiões mais afastadas e que enfrentam dificuldades adicionais para acessar os serviços de proteção.

Durante o pronunciamento, a vereadora reconheceu iniciativas já existentes no Acre voltadas ao atendimento de mulheres vítimas de violência, mas afirmou que os números mostram que ainda há desafios a serem enfrentados.

“Quando uma pesquisa revela que milhares de mulheres vivem situações de violência e não chegam aos registros oficiais, nós precisamos entender que o silêncio também é um dado”, declarou.

Ao encerrar o discurso, Elzinha reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve ocorrer somente depois de uma agressão, mas por meio de ações preventivas capazes de interromper o ciclo antes que casos evoluam para situações ainda mais graves.

“Porque por trás de cada percentual existe uma mulher. Existe uma história. Existe uma família. E, muitas vezes, existe uma vida que pode ser salva”, afirmou.

A vereadora concluiu defendendo que a violência contra a mulher seja tratada como uma responsabilidade coletiva e cobrou a atuação conjunta do poder público e das instituições para garantir proteção, acolhimento e condições para que as vítimas possam reconstruir suas vidas.