A Operação Algoritmo Cidadão, deflagrada nesta quarta-feira, 16, pela Polícia Civil do Acre para investigar uma suposta estrutura de disseminação de conteúdos falsos e ataques contra o candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos), ganhou um componente político após virem à tona manifestações anteriores do delegado responsável pela ação. O material foi divulgado por apoiadores da Mailza Assis.
Segundo prints publicados, Rêmullo César Pereira de Carvalho Diniz, titular da Delegacia de Sena Madureira e responsável pela investigação, já publicou em suas redes sociais manifestações favoráveis a Alan Rick durante a pré-campanha eleitoral. Em uma delas, o delegado marcou o perfil do senador e criticou uma decisão da Justiça Eleitoral relacionada à retirada de outdoors do então pré-candidato.
Na publicação, Diniz classificou a decisão como “censura, perseguição e até abuso do poder político” e defendeu que a legislação fosse aplicada de maneira uniforme aos candidatos.
Registros de interações nas redes sociais também mostram o delegado curtindo publicações de Alan Rick durante o período que antecedeu a campanha.
As manifestações não significam, por si só, que os atos praticados na investigação sejam inválidos ou que exista interferência política na operação. No entanto, a existência de posicionamentos públicos anteriores passou a ser utilizada pela campanha de Mailza Assis para questionar a isenção de quem conduziu as diligências.



Operação atingiu pessoas ligadas à estrutura de Mailza
A Operação Algoritmo Cidadão cumpriu mandados de busca e apreensão em Rio Branco para apurar uma possível rede coordenada de perfis utilizada em ataques contra Alan Rick.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, celulares, computadores e outros equipamentos foram apreendidos. Quatro pessoas foram conduzidas para prestar depoimento e liberadas posteriormente. Os candidatos ao governo não são alvos da investigação.
Entre os nomes relacionados à operação estão pessoas que possuem vínculos com a estrutura do governo estadual.
Uma das investigadas é Ghislaine Henrique de Abreu, servidora do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), que teve a residência alvo de busca. Durante a diligência, ela foi acompanhada pelo advogado Cristopher Mariano, que integra a coordenação jurídica da campanha de Mailza.
Dados da prestação de contas eleitoral consultada apontam que a campanha de Mailza declarou R$ 500 mil em despesas com o escritório de Cristopher Mariano, valor correspondente a cerca de 30% das despesas registradas pela candidatura na atualização considerada.
O advogado, porém, não é investigado na operação. Sua presença no local ocorreu na condição de defensor de Ghislaine.
Outra pessoa citada entre os alvos é Luciene da Cunha Nogueira, apontada como maquiadora pessoal da governadora e ocupante de cargo comissionado no governo estadual. Segundo informações divulgadas sobre a operação, ela estaria relacionada a um dos perfis investigados.
Também aparece entre os alvos a advogada Viviane Silva dos Santos Nascimento. Conforme informações atribuídas à investigação, ela teria sido relacionada a um perfil investigado por possíveis ataques contra Alan Rick. A advogada também já teria atuado profissionalmente para Madson Cameli, marido de Mailza e chefe do Gabinete Pessoal da Governadora.
A eventual relação profissional entre Viviane e Madson, assim como a existência de vínculos funcionais de familiares de investigados com o governo, são elementos de contexto e não comprovam, isoladamente, participação nos crimes apurados.


Investigação ainda está em andamento
A Polícia Civil informou que a operação busca identificar os responsáveis pela produção e disseminação dos conteúdos, além de esclarecer se havia coordenação entre os perfis investigados. Parte das informações permanece sob sigilo judicial.
O delegado Rêmullo Diniz afirmou que a investigação envolve suspeitas de crimes eleitorais relacionados à divulgação de notícias falsas e associação criminosa. A Polícia Civil também informou que a apuração não tem os candidatos como alvos e não confirmou participação direta de Mailza Assis nos fatos investigados.
A campanha de Mailza, por sua vez, afirma que a candidata nunca autorizou, solicitou ou teve conhecimento de qualquer atuação relacionada aos fatos investigados. Em manifestação divulgada após a operação, a governadora também cobrou que outras denúncias envolvendo ataques digitais contra sua candidatura recebam o mesmo tratamento das autoridades.
O episódio coloca a eleição estadual em um terreno cada vez mais sensível: de um lado, a Polícia Civil investiga uma possível estrutura digital de ataques contra Alan Rick; de outro, a campanha de Mailza questiona a atuação do delegado responsável pela operação em razão de manifestações políticas anteriores feitas por ele.
Até o momento, não há decisão judicial declarando suspeição do delegado nem conclusão oficial de que suas manifestações tenham interferido na investigação. O esclarecimento sobre a eventual existência de impedimento, suspeição ou influência externa caberá às autoridades competentes.





