Em meio à sequência de operações policiais que investigam suspeitas de fraudes, desvios de recursos e irregularidades em contratos públicos no Acre, o candidato ao governo do Estado Alan Rick (Republicanos) elevou o tom contra o modelo de gestão estadual e prometeu, caso seja eleito, promover uma ampla auditoria nos contratos atualmente em execução.
Sem mencionar diretamente a governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), Alan fez uma crítica que pode ser interpretada como um recado à atual administração. A declaração ocorre justamente no momento em que órgãos de controle aprofundam investigações sobre contratos firmados pelo Estado.
“Quando eu pegar o Estado, eu vou fazer auditoria em tudo. Tudo que estiver com fraude ou superfaturado ou tiver indício de corrupção, tudo será cancelado, e nós entraremos com as medidas cabíveis”, afirmou.
O candidato disse ainda que, na avaliação dele, um governador não pode utilizar a existência de contratos herdados como justificativa para deixar de verificar possíveis irregularidades.
“Você é a governadora. Você tem que auditar. Você tem que descobrir o que está acontecendo”, declarou.
Na sequência, Alan afirmou que pretende promover uma mudança no funcionamento da máquina pública e classificou o cenário que descreve como um ambiente em que a corrupção teria se instalado institucionalmente.
“Vamos fazer as auditorias necessárias para que nós possamos transformar o Acre num novo ambiente. Um ambiente que está aí, está corrompido. A corrupção se institucionalizou, se entranhou na máquina pública”, disse.
A fala de Alan ocorre após uma série de ações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) no Estado. Na Operação Death Note, deflagrada em 17 de setembro, os órgãos investigam suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro envolvendo verbas destinadas à educação. Segundo a PF, o possível prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 30 milhões.
Nesta terça-feira (22), uma nova fase da Operação Ptolomeu voltou a colocar contratos públicos do Acre no centro das investigações. De acordo com a CGU, a apuração envolve a construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), com suspeita de superfaturamento por serviços medidos e pagos, mas que não teriam sido executados.
A declaração de Alan ganha contornos políticos. Ao comentar as operações, a governadora disse que “pegou um Estado pronto, um governo com os contratos prontos” e afirmou que confia na Justiça e não pretende interferir nas investigações.
Sem citar o nome da adversária, Alan contrapôs essa justificativa ao defender que cabe ao chefe do Executivo revisar os contratos herdados e adotar providências diante de eventuais irregularidades.
“Isso não é desculpa, sinceramente”, afirmou o candidato.
Ao final, Alan prometeu que, se chegar ao governo, pretende conduzir uma política de revisão dos contratos públicos e encaminhar às autoridades competentes aquilo que for identificado como irregular.
“O Acre vai voltar a ter um governo sério e as coisas vão acontecer dentro da legalidade”, concluiu o candidato.





